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Ex-sócio da Soletur esclarece causas da falência da empresa

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Por: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul
Data de Publicação: 27 de novembro de 2001
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O ex-sócio da Soletur- Sol Agências de Viagens e Turismo Ltda, Carlos Augusto Guimarães Filho, prestou depoimento hoje (dia 27 de novembro) ao juiz da 8ª Vara de Falências e Concordatas do Rio, Alexander dos Santos Macedo, para esclarecer as causas da falência da empresa. Segundo ele, a redução dos pacotes internacionais em 1999 provocada pela elevação da cotação do dólar e o atentado terrorista no World Trade Center, em Nova Iorque, ocorrido em 11 de setembro deste ano, foram os principais fatores que provocaram a falência da Soletur.

Detentor de 98% do capital da empresa, Carlos Augusto Guimarães afirmou que a empresa era especializada em turismo internacional e que por ocasião da disparada do dólar, a Soletur tinha 800 vôos fretados com a Varig para o exterior. "Essa elevação do dólar reduziu drastricamente a venda dos pacotes internacionais, onerou excessivamente o custo operacional da empresa e o custo de nosso endividamento em dólar passou a ser de quase o dobro", declarou.

Carlos Augusto destacou que a empresa teve que recorrer aos bancos nacionais pagando juros altíssimos, de quase 50% ao ano, para cumprir os compromissos assumidos com o mercado de turismo no Brasil e no exterior. Ele ressaltou que em 2000 procurou equilibrar a empresa, porém "as margens de lucro eram freqüentemente consumidas pelas altas taxas de juros pagas aos bancos, companhias aéreas e ainda aos credores em geral".

Além do término da venda das viagens internacionais, o ex-sócio da Soletur afirmou que o atentado terrorista ensejou uma grande quantidade de cancelamentos de pacotes já vendidos, não só para os Estados Unidos, como também para a Europa. O fato dificultou o cumprimento dos compromissos assumidos com as empresas aéreas, entre elas, a Varig e a Rio Sul, que entraram com uma notificação impondo a quitação do débito de R$ 8 milhões, em 48 horas.

O juiz Alexander Macedo informou que cerca de 500 credores da Soteur já se habilitaram na massa falida. Ele disse também que o patrimônio da empresa e do sócio será levantado após as respostas dos ofícios enviados à Receita Federal, às instituições financeiras e aos cartórios. Constam nos autos que a Soletur possui 28 imóveis, que serão alugados inicialmente pelo 4º liquidante judicial ? síndico da massa ? para levantar capital e garantir o ressarcimento aos credores.

 

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