Com pouco mais de seis meses do homicídio qualificado praticado contra Ubyraci e Uraquitan Borges Novelino, os acusados do crime serão julgados, nesta segunda-feira, pelo 2º Tribunal do Júri de Belém, sob a presidência do juiz Raimundo Moisés Flexa. Serão seis acusados que sentarão no banco de réus de uma só vez, todos estão presos aguardando o julgamento. Respondem pelo crime Sebastião Cardias Alves, José Agusto Marroquin de Souza, João Batista Ferreira Bastos,José Luiz Pinheiro Araújo, João Carlos Barros Figueiredo e Messias de Jesus Nunes da Silva.
Hoje, pela manhã, compareceu ao fórum o juiz presidente da sessão, que foi conferir equipamentos, som, bancadas da acusação e defesa. O juiz diretor do Fórum Ciminal, Paulo Jussara, também esteve no prédio para verificar se tudo corria dentro do previsto, e se as tendas instaladas pelos familiares das vítimas, nas duas praças que cercam o prédio do júri, não atrapalhará o funcionamento normal do Fórum Criminal.
As nove tendas instaladas pelos familiares das vítimas são para receber, conforme disseram à imprensa, centenas de pessoas que virão em comboio de ônibus, de diversos municípios do estado. Elas assistirão ao júri das tendas, pelos monitores conectados ao sistema do fórum, com transmissão em tempo real da sessão.
Os réus ocuparão uma fileira de seis cadeiras e numa outra fileira policias militares ficarão na retaguarda, para evitar qualquer tipo de incidente entre os réus ou por alguém da plenária. Na segurança externa do prédio, um batalhão formado por 40 homens. Já na área interna do júri cuidarão da segurança além da guarda judiciária, os militares lotados na Coordenação de Segurança da Casa.
A movimentação dos servidores que trabalharão no julgamento vai começar por volta das 6h30 da manhã, com o pessoal da segurança e da Secretaria de Informática. A previsão é que os réus também cheguem cedo, e aguardarão na carceragem do fórum até que o juiz determine a apresentação dos acusados no salão do júri.
O júri dos acusados no caso Novelino está previsto para começar às 8h, com a formação do Conselho de Sentença composto por sete integrantes, escolhidos dentre os 21 jurados na abertura dos trabalhos. O promotor de justiça do caso Paulo Godinho vai dividir a tribuna de acusação com mais dois advogados, contratados pelos familiares das vítimas, que atuarão na assistência de acusação. Do outro lado da tribuna atuarão quase dez advogados de defesa em favor dos réus. Dois deles serão defendidos pela defensora pública Marilda Cantal. Está prevista a oitiva de 16 testemunhas, sendo metade de acusação e a outra da defesa.
Uma sala refrigerada, em frente ao salão de júri, ficará a disposição da imprensa. Ela está equipada com algumas mesas e cadeiras de trabalho. Para facilitar a remessa de boletins e imagens do julgamento às redações, na sala estão disponíveis mais de 30 pontos para conexão de computadores portáteis e um fone-ramal para contatos (3205-2441).
Dados do processo: Conforme denúncia formulada pelo promotor Paulo Godinho, o crime aconteceu por volta das 19h, do dia 25 de abril. Pelo que foi apurado nas investigações, os dois irmãos foram atraídos para um encontro com João Batista Bastos Ferreira, ou Chico Ferreira como é conhecido, no auditório da empresa Service Brasil, localizada em Batista Campos, centro urbano de Belém. O empresário prometeu que pagaria parte do dinheiro que devia aos irmãos, cerca de quatro milhões de reais, e pediu que levassem os cheques, para resgatá-los.
Consta na acusação que, Chico Ferreira com ajuda de Sebastião Cárdias Alves e José Augusto Marroquim simulou um assalto na empresa. Durante o assalto os irmãos foram imobilizados, algemados, agredidos, estrangulados até morrer por asfixia, com um pedaço de mangueira de plástico, conforme os laudos de necropsia. Segundo a acusação os corpos foram colocados em dois camburões metálicos e transportados do local do crime, num camionete Fiorino da Service Brasil, até um porto de Belém.
Com ajuda de João Carlos Barros Figueiredo (o Janjão), que conduziu a embarcação, e de mais dois estivadores, os camburoões foram levados até uma embarcação. Em seguida os corpos foram presos a âncoras e blocos de cimento, e lançados na Baía do Guajará.
Testemunhas ouvidas na instrução processual informaram que após a execução, os réus limparam o local. O carro que as vítimas alugaram, por orientação do próprio empresário, para ir ao encontro, fora conduzido pelo assessor de Chico Ferreira, o radialista Luiz Araújo. Ele teria sido encarregado de “dar sumiço no carro”, a pedido de Chico Ferreira. O assessor contratou o mecânico Messias para desmontar o veículo no sítio de sua propriedade.
Através de denúncia anônima a polícia chegou ao sítio no dia posterior ao desaparecimento dos irmãos, e constatou o crime de receptação qualificada, prendendo em flagrante Luiz Araújo. Ele foi o primeiro a ser preso, suspeito pelo sumiço dos irmãos. Os corpos das vítimas só foram encontrados pela polícia quase duas semanas depois do crime. (texto: Glória Lima)
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