Vítima do caso Parque Oeste diz não reconhecer réus
Em declarações prestadas hoje ao juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, o porteiro Eurípedes Lopes Soares, uma das 19 vítimas apontadas pelo Ministério Público (MP) na ação penal movida contra seis policiais militares que comandaram os batalhões de choque responsáveis pela desocupação das famílias assentadas no Parque Oeste Industrial, disse não ter condições de reconhecer os acusados porque estava muito apavorado naquele dia. Também estava prevista a inquirição da vítima José Ediênio do Nascimento, mas ele não foi encontrado por oficiais de justiça para ser intimado.
Eurípedes foi alvejado com um tiro no queixo, sendo que a bala ainda não foi retirada. "No momento da invasão, os policiais não tinham os rostos pintados. Eu estava distante e não consegui identificá-los pelas fardas e nem contar quantos disparos foram feitos", comentou. O porteiro afirmou também que na ocasião escutou o barulho de bombas de gás e, logo após ser atingido, procurou sair do local, buscando socorro no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde recebeu um curativo.
A vítima admitiu não ter visto os policiais gritando quando entraram no local e não ter sido ameaçada por algum deles. Por outro lado, disse não ter ouvido, também, algum carro de som orientando as pessoas a sair do local pacificamente. Ele afirmou, ainda, que não foi ameaçado por líderes da ocupação. "Ninguém me impediu de sair da ocupação. Fiquei lá porque não tinha onde morar mesmo", comentou. (Patrícia Papini)
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