Rodrigo Gonçalves da Silva foi condenado a 26 anos de reclusão por seqüestro, tortura e homicídio contra Eliane Honório, em 25 de abril de 2001. A sessão foi realizada no 1º Tribunal do Júri de Goiânia, sob a presidência da juíza Carmecy Rosa Maria Alves de Oliveira. Ele é cúmplice do bispo Luís Carlos Oliveira Penha e seu filho Luis Cláudio Oliveira Penha, que também seriam julgados, mas por estarem sem advogado de defesa, que deixou o caso nas vésperas, tiveram o julgamento adiado para segunda-feira (11.12).
Durante a sessão o Ministério Público (MP) requereu condenação segundo as acusações e por decisão em grau de recurso de outro co-réu a imputação do crime de seqüestro foi reformada para crime de tortura mediante seqüestro, decisão que se estende aos demais. A defesa requereu absolvição com a tese de negativa de participação nos crimes.
A pena será cumprida na Penitenciária Odenir Guimarães em regime inicialmente fechado. A juíza determinou que Rodrigo aguarde o trânsito em julgado da sentença (quando não há mais possibilidade de recursos) na prisão onde se encontra, porque foram vários os delitos praticados e os crimes são hediondos.
Crime
De acordo com denúncia do Ministério Público (MP), a vítima viveu durante 14 anos com Luíz Carlos de Oliveira Penha, com quem teve três filhos. O relacionamento era bastante conturbado, com agressões físicas e ameaças de morte por parte do bispo. Eliane resolveu se separar dele e buscou abrigo no Centro de Valorização da Mulher (Cevam), para onde levou também os filhos, iniciando um romance com Edson de Souza Borda. Com isso, o bispo arquitetou um plano para matá-los.
Contou com a ajuda do filho Luiz Cláudio e pagou R$ 1 mil para que o casal Joaquim e Maria Zilda simulassem uma briga, de maneira que esta pudesse forjar um termo circunstanciado de ocorrência a fim de conseguir vaga no Cevam e aproximar-se de Eliane. Maria Zilda conquistou a confiança da vítima dizendo-se comovida com a situação dela, prometeu-lhe ajuda com a doação de um lote de terra para construção de uma casa, o que seria obtido com a ajuda de um vereador amigo de Joaquim.
Com o pretexto de realizar uma reunião para discutir o recebimento do suposto lote, Maria Zilda, na companhia de Joaquim, conseguiu atrair Eliane e Edson ao local do crime, para onde estavam se dirigindo, também, Luiz Carlos, Luiz Cláudio, Rodrigo e Lourival estes dois últimos haviam sido contratados para ajudar no crime. Houve um problema com o veículo do bispo, o que fez com que Joaquim ligasse para Edson desmarcando o encontro. Edson e Eliane retornaram e pensando que eles estavam indo para o Cevam, o bispo e seus companheiros se dirigiram para o local portando duas algemas com a intenção de seqüestrar o casal. Segundo o MP, a sorte de Edson foi que ele havia deixado Eliane em um ponto de ônibus.
Ao descer do ônibus perto do Cevam, Eliane foi agarrada por Luiz Cláudio, Rodrigo e Lourival. Algemada, foi colocada dentro do carro em que o bispo estava e levada até a Igreja São Cosme e Damião. No local ela, foi torturada física e psicologicamente pelo bispo, com a ajuda de Rodrigo, Lourival e Luiz Cláudio. Joaquim ficou do lado de fora da igreja vigiando.
"Ao saírem da igreja, os cinco denunciados dirigiram-se até o local do homicídio, o qual havia sido previamente preparado por Rodrigo e Lourival, a mando do bispo Luiz, cinco dias antes do crime", observou a promotoria. Foi providenciada uma cova de 1,80 metros por 2 metros de largura no local de um formigueiro, onde os corpos de Eliane e de Edson seriam enterrados. "A cova foi feita em um formigueiro para facilitar a decomposição dos cadáveres", comentou o MP.
Ao chegarem ao local, Eliane foi posta de joelhos às margens do Rio Meia Ponte, ocasião em que o bispo lhe pediu um último beijo. Diante da recusa da vítima, ele a empurrou algemada no rio, provocando sua morte por asfixia. (Izabela Cunha/Sheila Cavalcante)
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