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Vara de Execuções alfabetiza internos na Lemos de Brito

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Por: Tribunal de Justiça do Estado da Bahia
Data de Publicação: 28 de novembro de 2003
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A Vara de Execuções Penais, em parceria com o grupo Tortura Nunca Mais, está realizando um projeto pioneiro em todo o País, alfabetizando os internos da Penitenciária Lemos de Brito. Iniciado no último dia 10, o curso piloto tem duração de seis meses e conta com oito turmas de dez alunos.

Os professores são os próprios detentos, chamados de alfabetizadores leigos, treinados, durante um mês, por pedagogos do Tortura Nunca Mais para atuarem como agentes multiplicadores dentro do presídio. Ao todo, são oito monitores, escolhidos pelo bom comportamento e por já possuírem algum tipo de instrução. Tantos os monitores quanto os detentos são beneficiados com um dia de remissão na pena: os monitores, por três dias de aula, e o aluno, por 18h de aula.

As aulas são ministradas nos períodos matutino e vespertino, tendo duração de duas horas. Este projeto é muito importante, pois investimos na ressocialização dos presos. Não queremos que eles passem todo o tempo na penitenciária, ociosos, mas sim que aproveitem para se qualificar e facilitar a sua reinserção social, disse o juiz da Vara de Execuções Penais e também responsável pelo projeto, Rilton Góes.

Para o delegado André Oliveira, diretor da Penitenciária Lemos de Brito, qualquer ação que ajude a reduzir o analfabetismo, como é o caso deste projeto, sempre é bem vista pela administração do presídio. Este projeto é muito bom, porque, enquanto o detento se preocupa com o estudo, deixa de se meter em confusão e muda até de comportamento, avaliou.

O preso no Brasil é pobre culturalmente, financeiramente e espiritualmente, e um curso como este faz com que tenhamos vontade de ser alguém. Fui condenado a nove anos por tráfico de drogas e com essas aulas, além de poder passar para meus colegas um pouco do que sei, posso também reduzir minha pena. Adorei esta iniciativa, disse Gildásio Correia, 41 anos, um dos alfabetizadores leigos.

José Manoel dos Reis, condenado a 30 anos por homicídio, se diz satisfeito com a oportunidade. Quando estou no curso, sinto como se estivesse em uma sala de aula de verdade. Tenho vontade de aprender e esta é uma grande chance, contou.

O projeto se tornou possível graças ao empenho do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, que aprovou a idéia e deu total apoio ao projeto.

 

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