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CARTAS AO PRESIDENTE

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Por: Superior Tribunal de Justiça
Data de Publicação: 2 de novembro de 2004
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Matusalém, Outra Vez, Que Chatice...

Venho declarar-me indignada em face das expressões pejorativas usadas pelo senhor em sentença que redigiu contra o direito à passagem gratuita dos idosos nos ônibus.

Causou-me estranheza a atitude do magistrado, cujo uso do Poder deveria estar voltado para a defesa dos direitos individuais dos cidadãos, indistintamente, brancos, negros, idosos, crianças, homens ou mulheres. A meu ver e ao ver de qualquer outro cidadão brasileiro, não dá para ficar omissa ao ocorrido, uma vez que os termos usados além de deselegantes para um magistrado, são ofensivos aos nossos queridos idosos (pois todos nós os temos em nossas casas, são nossos pais, avós, bisavós, outros parentes, vizinhos, seremos nós mesmos, agora ou mais para a frente). E quando formos nós?

O que podemos esperar de um País que não respeita hoje o idoso e não nos respeitará amanhã ? O que dizer aos seus filhos, se os tem: "cuide de mim em um futuro bem próximo quando estarei 'matusalém carcomido' "?!!!! Não ensinou a ele esse princípio de amor e respeito ? Francamente, só nos resta optar por ser "um idoso Matusalém Carcomido" mas digno, que um "ser jovem", mas com a mente deteriorada.

Leonilda Cunha, via e-mail leonildacunha@hotmail.com

Na sentença que redigiu contra o direito dos maiores de 60 anos à passagem gratuita nos ônibus o senhor pegou pesado ao dizer que "as empresas não estão obrigadas a transportar de graça o matusalém, por mais carcomido que pareça." Que estilo.

Senti-me bastante desencantado, mercê de outras pérolas do nosso "poder" guardião da Justiça; guardião?, ou desobrigado. Que vergonha para nós brasileiros, meritíssimo! Não sei da sua idade, mas o senhor tem certeza que vai morrer logo? Não está convicto de que pode chegar à desdenhosa época deste Matusalém? Talvez o senhor não chegue até lá carcomido pelo tempo, em razão das plásticas que pode fazer com o especialista Pitanguy, mas corroído pelos vermes da consciência que, por certo, irá lhe devorar as entranhas do poder, se soubesse que há milhões de conterrâneos seus nas condições de miserabilidade que já estão trôpegos aos 50 anos de idade.

Os mesmos brasileiros que o senhor despreza como indignos de si são gastos, consumidos e decrépitos não pela alimentação de caviar, trabalho exposto ao ar condicionado, transporte em carros com motorista ao local de trabalho e manuseio de caneta como ferramenta de serviço como o senhor, mas pela comida pobre em nutrientes (bóia fria), colocado à vista de um calor escaldante de 35 graus de "sol a sol", locomoção a pé em trajetos íngremes para chegar ao roçado distante, vários quilômetros de casa e utilização de ferramentas pesadas para o cultivo da terra ou a manufatura dos produtos industrializados, a fim de dar sustentabilidade à nação.

Argumentos como esses expressos em sua sentença afrontam a maioria dos brasileiros acima de 60 anos, porque os aquinhoados são minoria. Estes "matusaléns carcomidos" de hoje trabalharam duro na roça, na indústria e no comércio, suportando todas as intempéries e viajando dependurados em ônibus e trens para poder sobreviver com míseros salários e dar condição de vida aos demais brasileiros como eu, o senhor e outros mais.

Eles venderam a preço vil a sua força de trabalho e os melhores anos da vida a um mercado onde os empresários, inclusive os de ônibus, sugam-lhes o sangue e, depois, como trastes descartáveis, são jogados a uma previdência pública vilipendiante, que lhes dispensa o mesmo tratamento dado, apenas não os verbalizando, de "matusaléns carcomidos", mas de "vagabundos" como outro presidente, este do executivo, assim os desprezou.

Em que país estamos vivendo, Meritíssimo? Até parece que em outros planetas errantes fora do sistema solar?

A minha indignação torna-se maior ainda ao saber do seu currículo e da sua carreira política, totalmente incompatíveis com a demonstração de desrespeito, descaso e desprezo aos idosos. Deputado federal pelo Maranhão, posteriormente assessor do presidente José Sarney; a partir de então passou a integrar a magistratura.

Aproveitando a indignação de um colega que com o senhor correspondeu, reproduzo abaixo as palavras dele: "É certo que essa experiência de ficar de pé, parado horas e horas num ponto de ônibus aguardando a oportunidade de embarcar, jamais o sr. viverá porque, diferentemente da sua sentença, a tença que o Estado lhe reservará, a partir dos 70 anos, propiciar-lhe-á meios de desfrutar de uma velhice mais digna - que deveria ser regra e não exceção -, porquanto é melancólico observar o desprezo que os entes estatais demonstram aos trabalhadores que já deram sua cota de sacrifício ao país e, ao final da vida, serem submetidos à humilhação de andar de ônibus de graça porque não podem pagar a passagem".

Por tudo isto é que me deixa mais convicto de que a falta de escrúpulos se agiganta mais e mais nas decisões dos poderosos. Acentuam-se mais ainda as injustiças quando se evidenciam as autoridades que deles tiveram proveitos, hoje os escarnecem e os zombeteiam.

Desculpe a franqueza, mas é este o meio pelo qual pode extravasar um brasileiro de 69 anos de idade que, graças a Deus, não necessita da esmola do governo para se locomover, mas passou por todas as agruras da vida, desde "bóia-fria" analfabeto até poder contar com sua casa e condução próprias e um curso de grau superior.

José Antônio de Azevedo, via e-mail icaroazevedo@uol.com.br

Na condição de uma cidadã brasileira que, na proximidade de completar 60 anos, ainda tem a graça de conviver com a lucidez e a força para trabalhos voluntários de ajuda ao próximo de mãe com 87 anos, senti-me desrespeitada ao ler o noticiário com as expressões utilizadas na sentença do senhor contra os idosos.

A sentença, favorecedora das empresas de transporte urbano, por mais injusta que possa ser considerada pelos homens e mulheres comuns do povo, por ter desconsiderado a realidade cruel na qual vivem milhões de idosos que, a despeito de terem já oferecido sua cota de sacrifício ao país, continuam a depender dessa humilhação de uma passagem de ônibus de graça, acabou ficando em segundo plano, diante dos termos humilhantes que o senhor nela utiliza para se referir aos seus compatriotas da terceira idade .

É certo, também, que nós cidadãos e cidadãs já deveríamos estar acostumados pela forma como os mais velhos vêm sendo tratados neste país. Porém é triste constatar que a agressão parte, agora também, do Poder que deveria ser o guardião das garantias individuais da sociedade.

De outra parte, li na coluna do Ancelmo Gois a seguinte nota: "PLÁSTICA SOCIAL O STJ convidou Ivo Pitanguy para uma palestra. É terça agora. Tema: "O corpo e o tempo". O mestre falará da importância social da cirurgia plástica." É certo que nenhum "matusalém carcomido", conforme citado pelo senhor, irá assistir a essa palestra.

Só espero que, daqui a alguns anos, o título de "matusalém carcomido" não seja aplicado a V.Exa. De uma cidadã brasileira indignada com tamanho desrespeito com os idosos.

Guilhermina Ferreira de Oliva, via e-mail g.oliva@uol.com.br

Confesso que desconhecia esse fato, caso contrário, também já teria emitido a minha opinião anteriormente.

Pelas informações que nos chegam, procedentes de boas fontes, consta que o digno Presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal, em sentença (deve ser acórdão) que redigiu, no julgamento de processo (deve ser recurso), obstando o direito dos idosos à gratuidade de passagem nos transportes de ônibus interestaduais, teria feito a seguinte referência: "as empresas não estão obrigadas a transportar de graça o matusalém, por mais carcomido que pareça".

Ao l

 

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