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Participação de crianças e adolescentes no narcotráfico é tema de debate no STJ

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Por: Superior Tribunal de Justiça
Data de Publicação: 27 de novembro de 2002
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Pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que houve nos últimos anos uma redução da idade de ingresso das crianças no tráfico de drogas do Rio de Janeiro. Atualmente, a média de idade de quem entra nessa vida é de 12 a 13 anos. No início da década, era de 15 a 17 anos. O levantamento faz parte de um estudo feito pela OIT em 19 países para diagnosticar as formas de trabalho infantil. Os resultados da pesquisa são o principal tema do Primeiro Seminário Nacional sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil: Crianças no Narcoplantio e Tráfico de Drogas, que teve início nesta manhã no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Organizado pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), o seminário que termina amanhã (28) foi aberto pelo presidente em exercício do STJ, ministro Edson Vidigal. Também contou com a participação de representantes dos Ministérios do Trabalho, Justiça, Unicef, OIT, Ministério Público do Trabalho, FNPETI e Conanda. De acordo com a pesquisa divulgada pela OIT, 67,5% das crianças e adolescentes envolvidas com o tráfico entraram nas quadrilhas com menos de 13 anos. Entre os entrevistados, havia crianças que se tornaram traficantes entre os oito e nove anos. Com a entrada no submundo do crime, a expectativa de vida passa a ser de cinco anos, segundo dados do Ministério Público do Trabalho. Até 1995, os traficantes do Rio de Janeiro não empregavam crianças e adolescentes porque a comunidade era contra. Mas isso mudou. Segundo os pesquisadores, esses jovens ganham muito mais dinheiro do que em qualquer atividade lícita. Um olheiro ganha entre 600 e mil reais para trabalhar de 40 a 72 horas semanais. Um vapor (responsável pela venda da droga), com jornada semelhante, fatura entre R$ 1.900 a R$ 3 mil. Acostumado a lidar com essa realidade na favela do Jacarezinho (RJ), o representante do Conanda, Raimundo Rabelo de Mesquita, disse que é difícil convencer um adolescente do morro envolvido com traficantes a mudar de vida. Ao propor um emprego lícito a esses jovens, ele já ouviu diversas vezes que o salário de miserável não compensa porque a remuneração de um mês equivale ao trabalho de um dia carregando a droga para os usuários de Copacabana e Ipanema. Para a representante do Unicef para o Brasil, Reiko Nim, o mais assustador são os motivos que levam esses jovens a essa vida ilícita. A pesquisa mostrou que, além do dinheiro, os adolescentes entram nas quadrilhas por se sentirem identificados com os traficantes e buscam a adrenalina dos confrontos com a polícia e os grupos rivais. Eles também procuram poder e prestígio na favela, principalmente com as meninas. Apenas os maiores de 18 anos disseram aos pesquisadores que o dinheiro e o sonho de consumo são o fator principal para o ingresso no mundo do tráfico. A pesquisa mostrou que, mesmo com a decepção com essa vida, os adolescentes dificilmente a deixam. O motivo é o medo dos policiais e dos adversários de outras quadrilhas, além da dificuldade de encontrar um emprego com a mesma remuneração. O pior é que quase todas as crianças envolvidas com tráfico usam drogas. A maconha é consumida por 90% deles e o álcool por 23% para, segundo eles, aliviar o estresse causado pela atividade. O uso de cocaína é menor, aproximadamente 15%, porque os jovens acreditam que o consumo da droga pode atrapalhar as atividades do tráfico. O envolvimento com as drogas vem aumentando. Em 1994, dos 2.200 jovens detidos pela 2ª Vara de Infância e Juventude do Rio, 11% tinham envolvimento com o tráfico. Hoje, metade dos menores recolhidos por mês está envolvida com drogas. Para Reiko Nim, o momento é propício para o debate sobre a participação de jovens no tráfico de drogas, quando as cenas do filme Cidade de Deus ainda estão na memória das pessoas. O filme mostra a participação de crianças e adolescentes no círculo vicioso do crime, tráfico e violência no Rio de Janeiro. Na avaliação do procurador-geral do Trabalho, Guilherme Mastrich Basso, o próximo governo deve adotar políticas severas de combate ao narcotráfico se quiser encontrar uma solução para o problema do envolvimento das crianças com o narcotráfico e com o crime organizado. Enquanto houver facilidade de plantar, produzir e vender drogas fica difícil reprimir a participação dos jovens no tráfico, alerta. A diretora do Departamento da Criança e do Adolescente do Ministério da Justiça, Denise Paiva, diz que há muito ainda a ser feito. Mas o Brasil avançou muito, segundo ela, na última década para combater o trabalho infantil, principalmente com políticas públicas implementadas em parcerias entre o Governo e a sociedade. O número de crianças que deixaram o trabalho infantil foi significativo, avalia. A secretária de Inspeção do Ministério do Trabalho, Vera Olímpio, concorda. Para ela, muito já foi feito nos últimos anos, mas é preciso avançar mais, especialmente na conscientização da sociedade sobre o tema. Para o diretor da OIT no Brasil, Armand Pereira, além dos males que o trabalho infantil provoca para as crianças e adolescentes, o problema representa uma causa a mais para o desemprego. O trabalho de crianças tira o emprego de quem tem idade legal para exercê-lo, diz. Ana Maria Campos (61) 319-6498

 

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1 pessoa comentou a notícia "Participação de crianças e adolescentes no narcotráfico é tema de debate no STJ"

  1. 1
    SABRINA, muitas de sobral

    Crianças envolvidas com drogas são necécidades de muitas mães que se preucupam com os filhos intão os filhos quando ficam aviciados as mães ficam com um filho avicíado as mães tem vontade é de se matar

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