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Ciclo de estudos sobre violência conclui que falta planejamento ao poder público

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Por: Superior Tribunal de Justiça
Data de Publicação: 29 de novembro de 2001
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Terminou no começo da tarde de hoje (29) o ciclo de estudos A violência e a criminalidade urbana, realizado pelo Conselho da Justiça Federal. A principal conclusão a que chegaram os palestrantes é que falta ao poder público planejamento e administração para reprimir e prevenir a violência nas cidades brasileiras. Estiveram presentes à abertura o ministro Milton Luiz Pereira, coordenador da Justiça Federal, e o ministro interino da Justiça, Bonifácio de Andrada, que agradeceu a vários ministros do STJ pelo convite e ao presidente do Tribunal, Paulo Costa Leite. O professor da Universidade de Minas Gerais, Cláudio Beato Filho, foi taxativo ao comentar a atuação dos agentes de segurança pública no País. Mais do que homens e equipamentos, falta é inteligência aos gerentes dos recursos públicos, enfatizou o professor de sociologia. Segundo Beato, não existe a frase vamos combater o crime, mas sim vamos combater determinado tipo de crime. Ele defende que o combate deve ser feito setorizadamente e dentro dos horários em que eles mais ocorrem. Há pouco tempo os responsáveis pela segurança pública foram avisados de que os bandidos não são burocráticos, ou seja, eles não roubam ou matam apenas nos horários de expediente, ironizou o professor, lembrando que era hábito em muitas cidades os policiais irem para as ruas somente nos horários de expediente, entre 8h e 18h. Marcando um caráter multidisciplinar ao evento, participou o jornalista Alberto Dines, que também criticou a má administração pública. Ele afirmou que falta integração e atuação conjunta das diversas organizações envolvidas com a segurança. Lembro que outro dia ouvi uma entrevista pelo rádio em que dois secretários de Estado comentavam uma operação conjunta entre as secretarias paulistas. A toda pergunta que o jornalista fazia a um dos secretários a resposta era de que aquele assunto ele não poderia responder com segurança por não pertencer à sua pasta, exemplificou Dines, concluindo que aquela postura mostrava que a operação não era conjunta. Não era conjunta coisa nenhuma. Era apenas a união dos esforços de duas secretarias, mas que absolutamente não sabiam o que a outra fazia, concluiu. Ainda dentro do caráter multidisciplinar, a arquiteta Regina Meyer, professora da Universidade de São Paulo, comentou a falta de atuação do Estado na prevenção do crime. Até um ano atrás, o bairro de Jardim Ângela, em São Paulo, que é um dos três mais violentos de toda a região metropolitana paulista, não tinha uma única praça, revelou. Ela disse que foi convidada a contribuir na idealização do projeto de construção da praça, mas que a maior dificuldade era convencer os moradores de que a obra não deveria ser cercada por muros. Eles queriam a construção do muro para protegerem-se da própria comunidade em que vivem. Ela defendeu que o poder público deveria buscar a implantação de espaços civilizadores, citando como exemplo as praças públicas, centros esportivos e as bibliotecas.

 

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