O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Antônio de Pádua Ribeiro, alertou hoje, em Brasília, para o risco de um processo de deslegitimação dos Poderes do Estado, se não houver a busca urgente de um consenso e de um entendimento entre eles. A população espera que o Estado realize suas funções e dê solução aos problemas; na medida em que as expectativas são frustradas, geram revolta e sujeitam o poder político a um sentimento de deslegitimação, declarou. Pádua Ribeiro encerrou hoje o II Congresso Brasiliense de Direito Constitucional, no Centro de Treinamento do Banco do Brasil, no Setor de Clubes. O presidente do STJ falou sobre o Judiciário e o equilíbrio entre os Poderes e defendeu a atuação harmônica do Judiciário, Executivo e Legislativo como a melhor forma de serem resolvidas as graves questões nacionais. Para Ribeiro, o povo percebe, intuitivamente, pouco poder esperar dos governantes que não conseguem se entender na condução das políticas públicas e partem para insultos e agressões mútuas, que só conseguem enfraquecer todos eles. Pádua Ribeiro afirmou que a crise do Judiciário é apenas um aspecto da crise do Estado e defendeu a mudança rápida das regras do processo judicial e do papel do juiz na sociedade de hoje, como forma de dar mais eficiência e rapidez ao aparelho judicial. O presidente do STJ disse que muitas vezes o Judiciário é criticado injustamente porque a sociedade exige dele uma Justiça que não tem condições de praticar. Cabe ao juiz apenas aplicar a lei que existe, com todas suas virtudes e imperfeições. Citando como exemplo a reforma agrária, Pádua Ribeiro afirmou que a justiça social deve ser a preocupação principal e contínua dos três Poderes e pediu a abertura de canais de entendimento entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário para que o País se torne mais justo e mais igualitário.
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