Brasília, 26/12/2005 ? O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, telefonou hoje (26) ao presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo, apresentando a solidariedade da OAB ao líder religioso diante das críticas que ele sofreu do governo, por parte do ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, neste fim de semana. Busato convidou o cardeal para participar da primeira reunião anual de 2006 do Conselho Federal da entidade, no dia 7 de fevereiro, o que foi aceito. Dom Geraldo Majella deve expor à OAB sua visão crítica sobre o governo Lula, a qual suscitou os ataques de Wagner, tachando o cardeal de ?desinformado e deselegante?.
?Ao apresentar a dom Geraldo nossa solidariedade contra as injustas críticas do governo, reafirmamos nosso sentimento de que a CNBB sempre foi uma instituição presente dentro da vida pública brasileira e que o cardeal representa a continuidade dessa tradição de luta pela cidadania, pelo combate à desigualdade social, e entendo que não poderia ser tratado dessa forma por parte do ministro?, afirmou Busato, ao relatar o telefonema a dom Geraldo Majella. Ele afirmou que a OAB se sentirá muito honrada em receber o cardeal primaz do Brasil em sua sessão de fevereiro, para ouvi-lo sobre a situação do País e o que mais ele quiser expor.
Em entrevista na véspera do Natal, o presidente da CNBB sustentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está míope ?por não enxergar a corrupção no governo? e acrescentou que 2005 foi um ano ?perdido para o País em relação à política social?. As declarações provocaram a reação do representante do governo, a qual foi respondida de forma elegante pelo cardeal na missa de Natal em Salvador: ?Deus não fala de promessas que não podem ser cumpridas?, disse. Na entrevista, o presidente da CNBB observou que a economia vai bem mas o povo vai mal e disse esperar que, em 2006, a campanha eleitoral não consista só em promessas. ?Espero que as campanhas sejam muito mais realistas?.
Para o presidente nacional da OAB, as afirmações de dom Geraldo Majella refletem as preocupações e anseios da sociedade civil brasileira. ?Ele é um homem que reflete esses anseios através de sua fala e por isso, em nossa conversa, convidei sua excelência reverendíssima para comparecer à sessão do Conselho Federal da OAB e nos falar algumas coisas sobre essa difícil quadra da vida política brasileira; o Conselho com certeza terá imenso prazer em ouvi-lo?. Busato destacou ainda que a solidariedade apresentada ao arcebispo, bem como o convite, inserem-se na linha da histórica parceria mantida pelas duas entidades ? CNBB e OAB ? em prol da ética e da cidadania brasileira.
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