Com base em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), de autoria do ministro Valmir Campelo, o senador Mão Santa (PMDB-PI) denunciou, nesta terça-feira (5), o abuso do poder econômico pelo governador do Piauí e candidato à reeleição, Wellington Dias. O governador, segundo Mão Santa, firmou convênio com o governo federal para aquisição de ambulâncias e obteve repasse de verbas em período eleitoral.
O senador encaminhou requerimento ao presidente do Senado, Renan Calheiros, para obtenção de uma cópia do relatório do TCU que será instrução de processo na Justiça Eleitoral.
- Sou candidato ao governo do Piauí e estou enfrentando a maior corrupção e o maior mar de lama que já existiu. Enfrento o PT, o partido dos trambiqueiros. Nunca se roubou tanto em tão pouco tempo no Piauí e no Brasil. Nós botamos os [colonizadores] portugueses para correr, vamos botar esses trambiqueiros também - afirmou.
Mão Santa disse que o ministro Valmir Campelo constatou o crime eleitoral em auditoria e relatou que o objetivo do convênio entre o governo do estado e o governo federal é a aquisição de ambulâncias, "o mesmo objeto daqueles convênios investigados na Operação Sanguessuga [da Polícia Federal] e na CPI dos Sanguessugas". De acordo com o relatório, o Lote 3, composto de sete ambulâncias no valor unitário de R$ 108,8 mil, foi fechado com a empresa Planam, a mentora do escândalo das ambulâncias superfaturadas.
O senador também denunciou desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal pelo governador Wellington Dias, que isentou de impostos duas empresas do Grupo Claudino, o mais forte conglomerado empresarial do estado. Segundo Mão Santa, a renúncia fiscal vale por dez anos, totalizando R$ 1,3 milhão por mês. O filho do dono das empresas, João Vicente Claudino, informou, é candidato a senador na chapa do governador.
O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) disse, em aparte, que o relato de Mão Santa é apenas um retrato do que acontece no Piauí. Ele assinalou que o PT era um partido de poucos recursos e hoje tem "campanhas milionárias", acrescentando que o crime eleitoral já está demonstrado com a compra de ambulâncias. O senador Leonel Pavan (PSDB-SC) disse que o presidente Lula "mente descaradamente" e utiliza dinheiro público para se promover.
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