Em depoimento na Corregedoria-Geral da Polícia Federal em Brasília (DF) na quarta-feira (21), o pecuarista Egton de Oliveira Pajaro Júnior, ex-sócio de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reafirmou já ter ganho entre 30 e 40 prêmios lotéricos. Por outro lado negou ter praticado lavagem de dinheiro e garantiu que declarou todas as premiações à Receita Federal. A equipe técnica da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos acompanhou o depoimento de Egton, que é apontado em processos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como suspeito de lavagem de dinheiro.
Egton, natural de Uberlândia (MG), informou à PF que já foi sócio em inúmeras empresas, entre elas um posto de gasolina, uma agência lotérica, empresas de radiodifusão e de agropecuária. Uma dessas empresas, da qual teria sido sócio entre julho e setembro de 2003, foi a Gerplan, de Carlinhos Cachoeira, concessionária de jogos lotéricos no estado de Goiás. Egton informou conhecer desde a adolescência a família de Cachoeira, mas que só teve relacionamento mais próximo com o empresário em 2003.
O depoente negou ter tido qualquer relacionamento comercial ou pessoal com dirigentes da multinacional do ramo lotérico Gtech. O ex-sócio de Cachoeira também afirmou não conhecer Waldomiro Diniz, Rogério Tadeu Buratti, Enrico Gianelli, Vladimir Poleto e Ralf Barquete. Sobre as dezenas de prêmios ganhos em jogos lotéricos, Egton alegou ter se tornado um "jogador compulsivo" entre 1997 e 2001 e que por isso apostava em diversos "bolões", grupo de pessoas que apostam em conjunto e dividem os prêmios. Disse ainda que a maioria dos prêmios que ganhou eram de menos de R$ 1 mil, mas que alguns dos maiores alcançaram o valor de R$ 30 mil.
A equipe técnica da CPI dos Bingos é composta, na sua integralidade, por dez consultores e analistas do Senado nas áreas de Orçamento, Economia e Direito; dois auditores do Tribunal de Contas da União (TCU); um auditor do Banco Central; dois delegados e um agente da Polícia Federal.
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