Ao questionar a atual política externa durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), nesta quarta-feira (31), o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) disse que o Brasil não deve buscar uma "supremacia forçada" no continente, para não provocar antipatias em relação ao país a partir de nações como a Argentina.< />
- A liderança do Brasil deve ser natural - recomendou Azeredo, vice-presidente da comissão, em debate com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O senador lamentou ainda o que chamou de "partidarização" da política externa e observou que o PT estaria colhendo agora, no governo, o pessimismo que teria plantado quando era oposição.< />
Em resposta a Azeredo, Amorim disse que a única divergência com a Argentina - ocorrida, a seu ver, "por razões históricas" - refere-se à questão da ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no qual o Brasil reivindica um assento permanente.< />
Outros senadores da oposição criticaram pontos da política externa, embora sempre ressalvando a qualidade dos quadros do Itamaraty. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) condenou a "forma precipitada" por meio da qual o país teria aceitado considerar a China como economia de mercado. José Agripino (PFL-RN) questionou os reflexos sobre nações amigas da realização da cúpula Países Árabes-América do Sul. < />
Amorim disse que a declaração sobre a China não retira do governo brasileiro a capacidade de aplicar possíveis salvaguardas às exportações chinesas. Garantiu ainda que a cúpula não prejudicou as relações do Brasil com os Estados Unidos e Israel.< />
Ainda durante o encontro, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) manifestou preocupação com a situação dos brasileiros que residem no Paraguai. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), por sua vez, relatou pedidos feitos por diplomatas do Irã para que o Brasil reveja sua posição em relação ao país nas votações sobre temas ligados aos direitos humanos nas Nações Unidas. < />
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) reiterou apelo ao governo para que se empenhe na busca de informações sobre o destino do brasileiro João José Vasconcelos Junior, detido por rebeldes iraquianos. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) quis saber do ministro se não seria a hora de as tropas brasileiras deixarem o Haiti. Amorim respondeu que ainda seria aconselhável aguardar o resultado das eleições a serem realizadas naquele país no final deste ano.< />
O presidente da CRE, senador Cristovam Buarque (PT-DF), admitiu - após comentário a esse respeito de José Agripino - que poderia vir a deixar o comando do colegiado, uma vez que estaria para sair do PT, partido ao qual pertenceria o cargo. Suplicy sugeriu então a Cristovam que completasse o mandato, mesmo deixando o PT.< />
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