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Acusado de fraude em licitação de R$ 100 milhões anuais alega inocência

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 30 de agosto de 2005
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Nesta terça-feira (30) os parlamentares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios ouviram o depoimento do brigadeiro Venâncio Grossi, acusado de participar de fraude em licitações nos Correios em contrato de transporte aéreo de cargas que movimenta mais de R$ 100 milhões ao ano. Grossi, em seu depoimento, negou qualquer irregularidade.< />

- Fiz trabalho do qual muito me orgulho, para uma empresa que muito admiro. Ajudei empresa a não perder R$ 105 milhões - disse, arrematando que não deseja a ninguém o sofrimento que está passando com as acusações. < />

Durante o processo de licitações, Grossi atuou como consultor externo tanto de uma empresa ligada a uma das concorrentes (Promodal), quanto dos Correios. Grossi disse que foi indicado para o serviço pelo então presidente dos Correios, Airton Dipp, e informou que uma de suas funções seria estabelecer o preço que cada empresa deveria receber por quilômetro voado no serviço Correio Aéreo Noturno.< />

A licitação rendeu uma série de reviravoltas envolvendo as empresas Skymaster - cujos donos deveriam ter sido ouvidos pela CPI nesta terça, mas tiveram seu depoimento adiado mais uma vez - e Promodal. O Brigadeiro confirmou aos parlamentares que a empresa Promodal pagou em 2003 sua hospedagem no hotel Blue Tree, em Brasília. Segundo Grossi, a empresa teria um convênio com o hotel e o depoente teria aproveitado preços mais vantajosos se hospedando em nome da empresa, tendo depois ressarcido a Promodal. Grossi informou aos parlamentares que passou a trabalhar como consultor depois de entrar para a reserva na Aeronáutica. < />

Respondendo questionamentos do subrelator de contratos da CPI, José Eduardo Cardozo (PT-SP), Venâncio Grossi afirmou que apesar de ter prestado o serviço não assinou contratos de consultoria com os Correios e que o pagamento pelo serviço foi feito pela Universidade de Brasília (UnB). O brigadeiro não soube explicar o motivo de ter trabalhado para um órgão e recebido por outro. Emocionando, explicou ainda que não conhece o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho (flagrado em vídeo recebendo suposta propina), nem nenhum dos parlamentares envolvidos no caso, nem dirigentes do Partido dos Trabalhadores.< />

A senadora Heloísa Helena (Psol-AL) destacou que a empresa Promodal, que pagou despesas de Grossi, é do mesmo dono da empresa Beta, que doou R$ 800 mil para campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República. Ao deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), Grossi explicou que muitas vezes grandes empresas de aviação nacionais não conseguiam participar de licitações de transporte de cargas porque "não tinham os documentos necessários para entrar na disputa".

Brigadeiro nega ter favorecido empresa em concorrência nos Correios< />

 

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