Os últimos índices econômicos, que apontam crescimento próximo de zero do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 e altas taxas de desemprego, são, na opinião do senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, fruto do baixo desempenho administrativo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demonstram a falta de capacidade decisória do governo.
Para o senador, foi a demora do governo em reduzir as taxas de juros que substituiu a previsão de crescimento de 2% do PIB pela atual estagnação. O Comitê de Política Monetária (Copom), segundo Virgílio, seria o responsável pela situação.
Levando em conta que, caso o país não cresça ao menos 4% ao ano não haverá como absorver a população economicamente ativa, o senador destacou que a falta de crescimento registrada neste governo fez com que o índice de desemprego de outubro fosse o pior para o mês desde 1985 e com que os rendimentos dos trabalhadores caíssem.
- Está faltando emprego até para Papai Noel. O bom velhinho deveria pelo menos ter estabilidade. Mas não é isso que ele tem no atual governo - ilustrou o senador.
Por não ter auto-crítica, disse Virgílio, assim como no crescimento do PIB e na geração de empregos, o governo vem conseguindo ¿nota zero¿ em diversas áreas, como no Fome Zero, na eliminação da alfabetização e na segurança pública.
- É um governo inconsistente, oco; por dentro não há o que se extraia para valer. O país vive das manchetes virtuais, enquanto as melhorias não chegam às vidas das pessoas - analisou o líder do PSDB, para quem o governo criou o ¿processo indecisório¿.
Virgílio se disse espantado pelo fato de o governo se ancorar na popularidade de Lula. Ele alertou, porém, que o carisma do presidente é algo novo, tendo em vista que ele perdeu três eleições antes de ser eleito.
- O presidente está embalando seu governo em cima de sua própria figura. Não sei até quando essa dobradinha Lula-Duda Mendonça vai segurar esse governo que não resolve - declarou.
A falta de decisão, segundo o senador, fica clara no caso da anunciada reforma ministerial. Em vez de substituir ministros, Virgílio ressaltou com base em notícias de jornais que o presidente vem confirmando a permanência de auxiliares, como os titulares das pastas de Turismo, Walfrido Mares Guia, e dos Esportes, Agnelo Queiroz.
- Ele (Lula) acha que o governo dele já fez muito e não vê nada para corrigir, para melhorar. Acha que está arrebentando a boca do balão. Indica que vai manter inclusive os ministros sobre os quais pairam denúncias. Se ele anuncia uma reforma ministerial e não vai mexer, que reforma será essa? Vai aumentar o número de ministros, tornando a máquina pública mais inadministrável ainda? - questionou.
O senador lamentou ainda que o ministro da Educação, Cristovam Buarque, responsável pelo programa de eliminação do analfabetismo, tenha se queixado de falta de verba e de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não o receba em audiência.
- Dá a impressão que o governo tem ministros de primeira e de segunda classes. Coitados dos alunos que estão a sofrer essa desinteligência de um governo descoordenado e inapetente do ponto de vista administrativo - afirmou Arthur Virgílio, que cobrou do governo a definição dos marcos regulatórios de setores da economia.
Em aparte, o senador Demostenes Torres (PFL-GO) disse que o governo não tem palavra, por não cumprir os acordos fechados no Congresso. Depois de as propostas serem aprovadas pelos parlamentares, inclusive com apoio das lideranças governistas, afirmou Demostenes, o presidente vem vetando os projetos.
Para o senador Edison Lobão (PFL-MA), o governo realizou uma obra ¿de imensa envergadura¿: negar tudo aquilo que pregou nos anos anteriores, quando esteve na oposição. ¿O que ele fez até aqui foi dar uma guinada de 180 graus e seguir o projeto de governo do presidente Fernando Henrique, o que está correto¿, disse Lobão.
2jc
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