O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse nesta sexta-feira (28) que a reforma da Previdência representou ¿um golpe devastador e um confisco cruel¿ contra a população brasileira, e que por isso estranhava a declaração de quinta-feira (27) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que estava ¿com a alma lavada¿ pela aprovação da proposta pelo Senado. Mas o senador elogiou o projeto de lei enviado pelo governo estruturando as parcerias público-privadas (PPP) no Brasil.
Na parte do pronunciamento em que criticou a declaração presidencial, Alvaro Dias lembrou que a economia brasileira teve neste ano a pior retração dos últimos cinco anos, de 1,5%. Disse ainda que o desemprego cresceu 21,7%, ¿na contramão da promessa feita durante a campanha de criação de dez milhões de empregos¿. Segundo cálculos citados pelo senador, o Brasil teria um milhão de novos desempregados.
O senador acrescentou que a solidão é uma péssima conselheira para um governante, mas que às vezes é preciso manter o silêncio. ¿Vale a pena lembrar Charles de Gaulle, que dizia que o bom governante não fala, mas faz¿, disse Alvaro, acrescentando que o silêncio presidencial seria pelo menos um sinal de respeito aos milhões de brasileiros que vão ser confiscados com a reforma da Previdência. ¿O presidente perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado¿, acrescentou.
Em relação às PPP, Alvaro Dias fez um histórico desse instrumento de desenvolvimento, utilizado primeiramente na Inglaterra, em 1993, e depois no México e na África do Sul. As PPP vêm sendo responsáveis, a seu ver, por um acelerado processo de investimentos na construção e manutenção de estradas, ferrovias, saneamento, hospitais e até projetos militares. No Brasil, segundo o senador, o Estado ficaria encarregado de alocar 70% dos investimentos, sendo os outros 30% responsabilidade da iniciativa privada. ¿Vamos apoiar a iniciativa, mas é preciso competência e capacidade gerencial, o que não foi demonstrado pelo governo até agora¿, disse ele.
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