O líder da oposição no Senado, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), fez um desabafo na sessão do Congresso Nacional realiza nesta terça-feira (dia 23) para votar o projeto de lei orçamentária de 2004, dizendo que "não há nada como um dia após o outro". Ele chamou de "golpe do governo" a votação, na segunda-feira (22), no Senado, do projeto de lei de conversão da medida provisória que altera a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Arthur Virgílio disse que o governo reuniu grande número de senadores dos partidos de sua base para aprovar as alterações na Cofins, quebrando acordo com a oposição para que a matéria fosse discutida antes. O senador classificou essa manobra como "deslealdade" dos líderes do governo.
Como houve um acordo de lideranças para a sessão do Congresso Nacional nesta terça-feira, bastaria ao líder da oposição solicitar verificação de quórum para derrubar a votação do orçamento, pois o Plenário não teria o número mínimo de parlamentares exigido pelo Regimento Interno para votar.
- Hoje, a sessão está à nossa mercê, porque o governo não tem condição numérica para ser arrogante como ontem (segunda-feira), quando mobilizou sorrateiramente uma maioria para tungar o bolso do brasileiro em R$ 8 bilhões. Não sou de guardar mágoas, mas gostaria que essa sessão fosse pedagógica. Não permitimos arrogância e lutaremos contra - afirmou.
Virgílio disse que uma parte sua queria "devolver na mesma moeda", mas não permitiria - "não quero proceder como eles" - disse. Ele lembrou que os governos costumam começar arrogantes e terminar humildes e que o compromisso da oposição é fazer o governo Lula ser humilde desde o início.
- Está na hora do governo desmamar e andar sem ajuda da oposição. Ano que vem é de cobrança de cada promessa feita na campanha eleitoral - frisou.
2RI
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