Com dados que indicam a ida de cientistas e pesquisadores brasileiros para o exterior, o senador Edison Lobão (PFL-MA) pediu iniciativas do governo para evitar essa ¿fuga de cérebros¿, que, na sua opinião, compromete o desenvolvimento do país. Para o senador, a permanecer o cenário atual, ¿o Brasil estará condenado ao atraso¿ e o país continuará dependente dos países desenvolvidos.
- As informações sobre a perda de cabeças brasileiras são preocupantes. Cientistas capazes, pesquisadores competentes, reconhecidos sentem-se compelidos a abandonar o Brasil por carência de perspectivas profissionais. Os levantamentos demonstram que 10% dos que fazem doutorado no exterior não voltam ao Brasil - afirmou Lobão.
Ele apresentou estudos segundo os quais grandes investimentos são feitos nesses pesquisadores, que, quando se tornam maduros, por falta de oportunidades, acabam não dando o retorno esperado à sociedade. De acordo com pesquisa do médico Ricardo Guimarães, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), exemplificou o senador, 966 cientistas brasileiros foram trabalhar definitivamente no exterior somente entre 1993 e 1999.
- Essa transferência causou prejuízo de US$ 100 milhões ao Brasil, sem contar perdas para o desenvolvimento do país, pois a formação de um doutor deve chegar a US$ 100 mil - apontou Lobão, lamentando ainda que o Brasil é o maior exportador de inteligências da América Latina e o segundo do ranking mundial, segundo o professor Antonio Carlos Pereira Jr., também da UFRJ, atrás apenas da Índia.
FALTA DE EMPREGO
O senador citou o presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Crodowaldo Pavan, que culpa a política do governo federal pela ¿debandada de cérebros¿, pois o cientista encontra em outros países o apoio que aqui lhe é negado. Essa fuga de cérebros, continuou Lobão, foi apontada pela ONU como uma das causas para a baixa colocação do país no ranking dos produtores de conhecimento científico (72º lugar).
- A falta de emprego é a maior alegação para não se voltar ao Brasil. A queda de contratação pelas universidades públicas diminuiu o mercado de trabalho no setor. São muitos os fatores que desencorajam a permanência no Brasil: parcos recursos para custeio da educação e pesquisa, limitadas perspectivas de progresso na carreira e estruturas acadêmicas obsoletas e desvinculadas dos interesses da indústria e da sociedade - analisou Lobão.
Na avaliação do senador, a ação do Estado brasileiro na área científica é necessária, já que somente quando o governo investiu foram obtidos os resultados mais importantes da pesquisa nacional. O senador narrou que os técnicos da base de lançamento de foguetes em Alcântara (MA) recebem salários ¿verdadeiramente ridículos¿ que chegam a 5% dos padrões internacionais. Esses profissionais, disse, acabam recebendo convites do exterior e os aceitam até mesmo para poder sustentar a família.
- O governo precisa se dar conta disso com uma política para manter esses ¿cérebros¿ aqui. Eles devem ser melhor remunerados e precisamos dar a eles a atenção devida - concluiu Lobão, que foi parabenizado, em aparte, pelo senador Lúdio Coelho (PSDB-MS).
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