A senadora Marina Silva (PT-AC) disse que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso não deu até hoje a resposta adequada aos crescentes índices de pobreza no país adotando, além de políticas emergenciais, as mudanças estruturais que podem realmente erradicar o problema. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), citada pela senadora, revelou que entre 1998 e 1999 mais 3,1 milhões de brasileiros passaram a viver abaixo da linha da pobreza. Ela sugere a adoção de programas maciços de educação, de reforma agrária e de geração de emprego e renda.
Marina fez um paralelo entre o regime militar e a atual normalidade democrática, lembrando que o ex-ministro Delfim Neto afirmava ser necessário fazer o bolo da riqueza crescer primeiro, para depois dividi-lo.
- FHC diz que, primeiro é necessário se obter a inserção do Brasil no processo de globalização, para depois se conseguir a inclusão social dos pobres e indigentes do país - disse.
O pronunciamento de Marina recebeu aparte do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) que considerou irrisório o montante previsto para o fundo de combate à pobreza, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados. Antonio Carlos ressaltou, no entanto, ser esse o primeiro passo para combater o problema. "Mais importante é assegurar, no orçamento para 2001, recursos para dar um salário mínimo decente ao trabalhador e exigir, do governo, um cronograma para o pagamento da correção do FGTS devida aos assalariados", disse.
Marina Silva considera a proximidade da votação do orçamento a oportunidade o momento adequado para discutir o problema da pobreza. Ela também lamentou que o trabalho dos senadores ao aprovarem o fundo tenha resultado na destinação de apenas R$ 4 bilhões anuais para programas de combate à miséria. "Mesmo essa quantia ínfima ainda não foi aprovada na Câmara dos Deputados", lembrou.
Também em aparte, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que o valor foi exigência do ministro da Fazenda, Pedro Malan, sob a argumentação de que o presidente Fernando Henrique Cardoso vetaria qualquer proposta superior a esse montante.
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