O senador José Fogaça (PMDB-RS) manifestou nesta segunda-feira (dia 9), em plenário, o desejo de que o novo presidente da Iugolásvia, Vojislav Kostunica, seja um representante da tradição iluminista européia, sabendo governar com tolerância e respeito à multiplicidade cultural e à democracia. O novo presidente assumiu o poder após o levante em Belgrado, que destituiu o ditador sérvio Slobodam Milosevic.
Analisando a situação de permanente tensão existente entre os países dos Bálcãs, Fogaça atribuiu os conflitos que têm assolado a região à ausência de representantes do pensamento liberal. Na antiga Iugoslávia, analisou o senador, foram extirpados os pensadores identificados com o iluminismo, que seguindo a tradição de Rosseau, Voltaire e Diderot, conceberam o estado moderno. "O resultado é o constante estado de guerra, em que se impõem filosofias antidemocráticas", sustenta.
Para o senador, o grande desafio dos governantes deste século é o de administrar as diferenças e lutar pela convivência entre os povos, mesmo que culturalmente distantes. No caso iugoslavo, ele apontou como razões os 400 anos da invasão turco-otomana ¿ que teria plantado entre os eslavos as sementes do ódio étnico e religioso ¿, e a localização geográfica, onde há confluência de culturas e povos. Fogaça salientou, porém, que a situação, por si, não seria suficiente para a deflagração de tantas guerras, caso prevalecesse a tradição iluminista.
José Fogaça recordou ter apoiado a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que repeliu a ação dos sérvios na província iugoslava de Kosovo, no ano passado.
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