"Há três formas de reagir diante de uma situação de trauma: enfrentar, fugir ou "congelar". A terceira é a que causa transtornos" ¿ explicou o psicólogo Antônio Ricardo Teixeira ao jornalista Fernando César Mesquita, no programa Entrevista Especial que vai ao ar pela TV Senado neste fim de semana. Teixeira, que é um psicoterapeuta de formação reichiana, procura integrar os tratamentos tradicionais aos métodos mais modernos para a superação dos mais diversos traumas.
De acordo com o psicólogo, 25% das pessoas não superam naturalmente os traumas, em especial se não conseguirem encontrar uma boa explicação para as suas próprias reações no momento de choque emocional, e se não contarem, depois, com o apoio de amigos, da família e de um bom terapeuta.
- O trauma também tem uma natureza fisiológica. A pessoa não consegue superá-lo, e fica condicionada, não encontrando respostas físicas e psicológicas para reverter isso ¿ continuou, salientando que, em média, as pessoas sofrem pelo menos um trauma a cada cinco anos, geralmente relacionado a violência, doença, perda de entes queridos ou outros choques emocionais. Como conseqüência podem ser desenvolvidos quadros de depressão, ansiedade, transtornos dissociativos e até síndrome do pânico.
Entre as técnicas utilizadas pelo psicoterapeuta, está a denominada de Eye Movement Desensitization and Reprocessing (EMDR), que foi desenvolvida pela psicóloga norte-americana Francine Shapiro, da Universidade Mental Research Institute, em Palo Alto, na Califórnia (EUA). A técnica consiste em levar o paciente a mover os olhos continuamente, de um lado a outro, enquanto se recorda da situação traumática. Os resultados, segundo Antônio Teixeira, podem ser imediatos.
Apesar de simples, o psicólogo garante que o método EMDR não é aleatório, e deve ser aplicado com o auxílio de um "facilitador" ¿ no caso, um psicoterapeuta competente, que tenha conhecimento sobre métodos tradicionais. Ele também ressalta a importância social do trauma, já que as pessoas que não conseguem superá-los tendem a repetir suas experiências, muitas vezes causando sofrimento a outros.
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