O anúncio, pelo governo federal, do fim do Programa de Distribuição de Alimentos (Prodea), sem que fosse sequer pensada uma alternativa de atendimento à população, provocou os protestos do senador Ademir Andrade (PSB-PA). De acordo com o senador, a decisão do presidente Fernando Henrique deixa à míngua 8 milhões e 600 mil brasileiros.
O fim do programa de combate à fome significa a suspensão da distribuição de um milhão e 722 mil cestas básicas em 1.350 municípios, e ainda em 661 acampamentos rurais sem-terra e 605 comunidades indígenas. Ademir salientou que ao longo do tempo o governo já vinha diminuindo a quantidade de itens da cesta. Atualmente, o custo médio da cesta é de apenas R$ 12, e no Nordeste inclui dez quilos de arroz, cinco de flocos de milho, três de feijão, dois de farinha de mandioca e um quilo de rapadura. Há cinco anos, a cesta incluía também macarrão, ovos, óleo de cozinha, sal e açúcar. Hoje, em algumas regiões, são distribuídos somente arroz, feijão e farinha de mandioca.
- Apesar de demasiadamente assistencialista e equivocado quanto às soluções dos problemas sociais, o programa não pode ser suspenso de forma abrupta e irresponsável ¿ afirmou Ademir Andrade, argumentando que, com todas as suas deficiências, a distribuição de alimentos nos bolsões de miséria no Norte e Nordeste é fundamental para a subsistência de muitas famílias. Ele lembrou que o Prodea foi criado em 1993 pelo governo de Itamar Franco e era incluído entre os projetos básicos do programa Comunidade Solidária, já no governo de Fernando Henrique Cardoso. Além disso, chegou a ser listado entre as prioridades de campanha do presidente, dentro do programa Avança Brasil.
Para Ademir Andrade, a suspensão do programa demonstra as verdadeiras prioridades de um governo neoliberal, que "larga os pobres ao seu infortúnio" mas nunca atrasa o pagamento dos altos juros da dívida externa e interna.
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