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CPI DO ROUBO DE CARGAS OUVIU MAIS DE 40 PESSOAS E VISITOU QUATRO CIDADES

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 15 de dezembro de 2000
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Instalada em maio, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o roubo de cargas realizou, em seis meses de atuação, 20 audiências públicas, ouvindo mais de 40 depoentes. Além disso, visitou quatro cidades para diligências: Campinas (SP), São Paulo, São Luís e Recife. A CPI foi criada em decorrência do trabalho da CPI do Narcotráfico, da Câmara dos Deputados, e é uma resposta ao crescimento do roubo de cargas em todo o Brasil. Segundo as entidades ligadas ao setor de transporte de cargas, os prejuízos causados por este tipo de crime chegam a meio bilhão de reais por ano.

De acordo com Romeu Tuma, "há grande expectativa de que a CPI atinja seu objetivo, que é atingir os receptadores". Eles seriam os mentores e financiadores das quadrilhas que operam no desvio de cargas. Ainda segundo o senador, há muita lavagem de dinheiro envolvendo este tipo de roubo. Diante disso, Comissão estendeu suas investigações para lavagem de dinheiro e também desmanche de caminhões. A pedido do relator, deputado Oscar Andrade (PFL-RO), a CPI teve seu prazo de funcionamento aumentado por mais um ano. Em 2001, serão visitadas várias cidades que estão na rota das quadrilhas.

Acusado de chefiar uma das maiores quadrilhas de tráfico de drogas e roubo de cargas do país, com sede em Campinas e ramificações por vários estados, o empresário Wiliam Sozza foi acareado, pela CPI, com o detento Jorge Méres. Participando do programa de proteção às testemunhas, Méres, que trabalhou como motorista do empresário, confirmou as acusações. Sozza recusou-se a responder. Segundo o presidente da comissão, senador Romeu Tuma (PFL-SP), há "fortes indícios" de que Sozza comanda o roubo de cargas. Tuma revelou que Wiliam Sozza já está sendo ameaçado de morte na cadeia, em São Paulo, por acerto de contas do tráfico de drogas.

Em São Paulo, onde ocorre pelo menos a metade dos roubos em rodovias, a comissão confrontou os depoimentos de policias ligados ao Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), com o do presidiário Sálvio Barbosa Vilar, que os acusara de participar de envolvimento do crime organizado. Sálvio, preso em Brasília, revelou que a quadrilha formada por policiais paulistas realizava incursões em Minas Gerais e no Nordeste. Como resultado da acareação, dois dos 14 policiais acusados tiveram prisão decretada, imediatamente, ao mentirem para os parlamentares da CPI.

 

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