A televisão brasileira deve ter uma programação regionalizada, diversificada em termos culturais e regida por normas de um Código de Ética semelhante ao existente para a publicidade, organizado por diversos setores da sociedade. As propostas foram defendidas pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), presidente da Subcomissão Permanente de Rádio e TV do Senado, em entrevista concedida nesta sexta-feira (dia 8) na Universidade de Brasília (UnB), dentro do Projeto Pontos de Visão. .
Simon lembrou que quem dita a programação da tevê brasileira é o resultado do Ibope e frisou que "este não pode ser o único parâmetro para dizer quais programas vão ao ar e a que horas são exibidos". Embora reconhecendo que a televisão é comercial, o senador observou que ela é também uma concessão publica, e defendeu a regionalização da programação. .
- Precisa ser regionalizada. A lei de mercado não vai mudar essa programação. Pela lógica do mercado, a tendência é que fique tudo centralizado em São Paulo, onde está 60% do dinheiro da publicidade. Nesse sentido, São Paulo é mais negativo para o Brasil do que os Estados Unidos são para América Latina - disse. .
Como exemplo de uma possível determinação de um Código de Ética para a televisão, que seria feito por representantes da sociedade civil, o senador citou a obrigação de exibir uma hora por dia de programação regional em horário nobre. Posicionando-se contra a censura, o senador dissse que assuntos como esse serão debatidos no futuro pela subcomissão. .
Simon iniciou a entrevista falando sobre a importância da televisão na formação da sociedade brasileira atual, "da mesma forma como, no passado, eram a família, o colégio e a Igreja", comparou. .
- Hoje quem forma, orienta, mostra os caminhos para a sociedade é a tevê Desde as crianças, como babá eletrônica, até a velhice, quando a pessoa não tem outras coisas para fazer - analisou. .
O senador citou ainda artigo em que o cronista Luis Fernando Veríssimo afirma que o fosso entre brasileiros de diferentes classes sociais vai aumentar ainda mais, separados entre uma elite que tem dinheiro para pagar tevê a cabo e o restante da população, limitado aos programas oferecidos pela tevê aberta. .
Respondendo a perguntas, o senador defendeu a adoção no Brasil de uma legislação semelhante à americana em que uma mesma pessoa pode ter até três emissoras de rádio ou tevê ou jornal - e não mais de um tipo de veículo de comunicação - e ainda assim não podendo exercer outro tipo de atividade. Quanto à abertura das empresas de comunicação ao capital estrangeiro, Simon reconheceu que precisa acompanhar mais de perto o debate que vem sendo travado sobre o assunto na Câmara dos Deputados, mas, a princípio, disse não ver razão de ser na vinda do capital estrangeiro para o setor. .
Participaram da mesa a professora Célia Ladeira, do curso de Comunicação da UnB, e o apresentador Tom Maranhão. Pontos de Visão é um projeto da Diretoria de Esporte, Arte e Cultura do Decanato de Assuntos Comunitários da Universidade de Brasília. .
Uma vez por mês pessoas ou grupos de destaque em Brasília são convidados a falar em entrevistas ao vivo sobre suas experiências. Junto com o senador Pedro Simon participaram do projeto nesta sexta-feira a banda Batucada de Bamba e representantes do Projeto Teatral Quinta Cênica.
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