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FARIAS QUER TAXAR ENTRADA DE FILMES NO BRASIL

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 8 de outubro de 1999
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Ao participar de audiência pública na Subcomissão do Cinema Brasileiro, o diretor e produtor Roberto Farias afirmou que o filme brasileiro não domina o mercado porque ele custa mais caro para o exibidor do que os norte-americanos. "Um filme brasileiro, com sala cheia, dá menos lucro do que um norte-americano com meia sala. Então o exibidor somente opta pelo brasileiro durante as semanas obrigatórias por lei".

Segundo Farias, é um absurdo que os filmes norte-americanos entrem no Brasil com alíquota zero de importação. "Nem a indústria automobilística, que já teve décadas de superproteção, resistiria ao produto estrangeiro, se ele não pagasse impostos de importação".

O cineasta reconheceu a força e capacidade de pressão da Motion Pictures Corporation, órgão da indústria cinematográfica dos Estados Unidos que, na sua opinião, conta com integral apoio do governo. "Quando eles sentem que seus interesses correm algum risco, ameaçam retaliar contra o aço, suco de laranja ou sapato brasileiros. Além do filme entrar sem pagar impostos, a remessa dos lucros de bilheteria para os Estados Unidos é taxada em 15% de imposto de renda, calculada sobre 70% do montante".

Roberto Farias afirmou que os cineastas brasileiros não estão reivindicando subsídios. "Aliás, o subsídio criado pela lei do audiovisual está direcionado para o empresário, não para o cineasta que continua um pedinte". O cineasta defendeu uma legislação que assegure uma competição justa pelas salas e pelo público.

- Enquanto o exibidor pagar barato pelo filme norte-americano e caro pelo brasileiro, isso não será possível. Os senadores estão com a faca e o queijo na mão, podendo criar leis que modifiquem essa situação injusta".

O senador Luiz Estevão (PMDB-DF) também considerou uma injustiça com o cinema brasileiro as atuais regras de importação de filmes norte-americanos. "O mercado consumidor é um ativo financeiro que não se pode dar de graça. Por isso apresentei um projeto de lei cobrando 5% de imposto de importação. É pouco, mas é um começo", disse.

Segundo Estevão, os representantes da Motion Pictures Corporation ainda não o procuraram para fazer pressão contra o projeto. "Podemos, também, procurar meios de garantir uma fatia de mercado para o cinema brasileiro, sem recorrer à lei da obrigatoriedade que é antipática".

O senador pelo DF ponderou que, se as novelas de televisão são um sucesso fantástico, e as novelas norte-americanas, as chamadas soap operas, aqui não entram, está provado que o público não tem especial preferência pelo produto norte-americano. "Trata-se de uma equação econômica que precisa ser favorável aos filmes brasileiros, como já o é para os produtores de televisão", concluiu.

 

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