O rio São Francisco está morrendo e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, precisa explicar aos parlamentares, especialmente os das bancadas de Alagoas, Sergipe e Bahia, se o projeto de transposição das águas do rio está devidamente amparado por estudos técnicos abordando a prévia e necessária revitalização do São Francisco. O comentário foi feito nesta quinta-feira (dia 7) pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), a propósito de notícia publicada em jornal de seu estado informando que as obras poderiam começar já no primeiro semestre do próximo ano.
O senador afirmou que a notícia também dava conta de que os governadores dos quatro estados a serem beneficiados pelas obras - Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco - teriam dado sua aprovação ao projeto do governo federal. "E os governadores de Alagoas, Sergipe e Bahia, estados que, à primeira vista, serão os mais prejudicados, eles foram ouvidos?", questionou.
Para esclarecer estas e outras dúvidas - como a necessidade de promover, antes da transposição, a interligação da bacia do São Francisco à do Tocantins - o senador salientou a importância de o ministro comparecer a reunião conjunta das comissões de Assuntos Sociais, Assuntos Econômicos e Infra-Estrutura. Para Valadares, é compreensível que, sendo do Rio Grande do Norte, o ministro tenha interesse político na transposição imediata. No entanto, advertiu, esse interesse não pode ser privilegiado em prejuízo dos outros estados.
Em aparte, a senadora Maria do Carmo (PFL-SE) concordou com Valadares e manifestou sua expectativa de que estudos sobre a interligação de bacias fluviais não sejam prejudicados por interesse político. O projeto do governo federal, por sua vez, carece de clareza e definições técnicas, de estudos sobre o impacto ambiental das hidrelétricas já construídas e das obras de transposição, que não seriam uma obra de engenharia simples, observou.
A senadora Heloísa Helena (PT-AL), autora do requerimento de convocação do ministro da Integração Social para audiência conjunta das três comissões do Senado, relatou que, quando procurado por parlamentares de Alagoas e Sergipe, logo no início de seu mandato como ministro, Fernando Bezerra afirmou que a revitalização do São Francisco era fundamental e que ele, como engenheiro, não poderia aprovar a obra de transposição sem que essa condição fosse cumprida. Estranhando que o ministro tenha aprovado o projeto de transposição, a senadora informou que há outros áreas do governo federal, como a Secretaria de Recursos Hídricos, que devem ser ouvidas. "A forma como a questão está conduzida pode resultar em mais uma obra inacabada no Nordeste", alertou Heloísa Helena.
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