Ao registrar da tribuna a realização de audiência pública conjunta das comissões de Serviços de Infra-Estrutura e Fiscalização e Controle na última segunda-feira (dia 5), o senador Tião Viana (PT-AC) lamentou "a atitude de ironia, de um certo sarcasmo, do presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio". Na sua opinião, o dirigente da estatal teria sido desrespeitoso com o estado do Acre, demonstrando "falta de visão estratégica em relação à Amazônia, que pode colocar o Brasil na condição de país de Primeiro Mundo".
As comissões ouviram os presidentes da Eletrobrás e da Eletronorte, respectivamente, Firmino Sampaio e José Antônio Muniz Lopes, e o secretário da Federação Nacional dos Urbanitários, Mauro Martinelli, a respeito da intenção do governo de cindir a Eletronorte e promover a privatização da sua parte mais rentável, a usina hidrelétrica de Tucuruí, informou o senador. A audiência "teve grande representatividade", tendo contado com a participação do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), e do líder do PMDB, Jader Barbalho (PA), acrescentou. Infelizmente, disse o senador, as preocupações dos acreanos com a cisão foram tratadas com descaso pelo presidente da Eletrobrás.
Para Tião Viana, o problema de abastecimento de energia elétrica na Amazônia exige um tratamento especial, sem submetê-lo exclusivamente às exigências de uma relação custo/benefício empresarial, dadas a dispersão das populações locais e a precariedade das condições de infra-estrutura. Quanto à privatização da usina hidrelétrica, o senador disse que o presidente da Eletrobrás não conseguiu explicar as razões do governo para tal decisão.
Em aparte, o senador Ademir Andrade (PSB-PA), para quem os parlamentares da Amazônia não devem aceitar a cisão da Eletronorte nem a privatização de Tucuruí, disse que as propostas do governo em relação à hidrelétrica não têm ética alguma, além de serem irresponsáveis em relação à Amazônia. Na opinião do senador, as indústrias eletrointensivas da região - Albrás e Alunorte (PA) e Alumar (MA) - foram as grandes beneficiárias de Tucuruí e, visto que os subsídios a elas concedidos cessarão em 2004, elas deveriam ter assumido a segunda etapa da construção de Tucuruí. Para surpresa do senador, o governo assumiu a construção com recursos do Tesouro Nacional (R$ 1,2 bilhão), já gastou cerca de R$ 6 bilhões na etapa inicial e pretende vender Tucuruí à iniciativa privada por R$ 1 bilhão.
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