Não será com projetos milionários que o Brasil erradicará sua pobreza, mas sim com "soluções simples, coerentes e racionais" e que quase sempre são baratas, defendeu a senadora Maria do Carmo Alves (PFL-SE). Ela citou como exemplo de iniciativa que gera renda e emprego para pessoas pobres a Rede Ceape (Centros de Apoio aos Pequenos Empreendimentos), hoje espalhada em 145 cidades brasileiras.Maria do Carmo explicou que a Rede Ceape, uma entidade não-governamental, financiou no ano passado 19 mil empreendedores e neste ano o número já passa de 44 mil. No Ceape de Sergipe, com apenas R$ 11,8 milhões foi possível gerar mais de quatro mil empregos diretos desde 1992, emprestando no máximo R$ 6 mil a quem tem negócio próprio há pelo menos seis meses e desfrute nome limpo na praça. O objetivo é financiar, sem burocracia, pessoas que têm profissão e necessitam comprar equipamentos para trabalhar.Para ela, os pequenos empreendedores devem ser prioridade em qualquer programa de combate à pobreza, uma vez que 40% da economia do país está na informalidade. A senadora lembrou que as micro e pequenas empresas representam mais de 90% dos estabelecimentos comerciais e industriais do país, gerando mais de 60% do faturamento nacional.Citando números apresentados por Osíris Lopes Filho, ex-secretário da Receita Federal, Maria do Carmo disse que existem no Brasil apenas 15 mil sociedade anônimas, contra um total de 4,5 milhões de estabelecimentos. Por serem grandes, as empresas SA têm toda facilidade para obter financiamentos, enquanto as micro e pequenas empresas e pessoas que podem se tornar empreendedoras não têm acesso ao crédito. "Há uma verdadeira inversão de ótica. Quem pode gerar renda e emprego acaba ficando de fora", observou. Por isso, conforme a senadora sergipana, a Rede Ceape tem obtido tanto sucesso.
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