O PPS decidiu aceitar a proposta de diálogo feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à oposição no sentido de se buscar uma solução para os problemas da Previdência Social. O senador Paulo Hartung (ES), líder do partido no Senado, comunicou que a bancada do PPS, em sua primeira reunião, na manhã da última quarta-feira (dia 6), elegeu os projetos já apresentados pelo deputado Eduardo Jorge (PT-SP) e pelo senador Roberto Freire (PPS-PE) como ponto de partida para o debate sobre um novo modelo previdenciário.
Hartung esclareceu que os dois projetos propõem um sistema único, compulsório e universal para todas as categorias sociais, da iniciativa privada e do serviço público, com um teto de dez salários mínimos. Ao mesmo tempo seria criada a Previdência Complementar, em regime de capitalização, podendo ser aberta ou fechada, para atender trabalhadores de renda mais elevada.
- Essa proposta básica tem um grande mérito: acabaria com os vários sistemas hoje existentes e com uma grade complexa de benefícios, que contribuem de forma inequívoca para tornar a Previdência Social uma Torre de Babel ineficiente e garantidora de privilégios minoritários - ressaltou.
O senador considera que a tarefa de repensar a Previdência não pode ser realizada pelo governo ou pela oposição isoladamente, mas deve envolver toda a sociedade. Ele lembrou que nos dois últimos anos o governo tentou aprovar sua proposta sem ouvir outros setores e só conseguiu protelar a crise até hoje.
- Se as declarações do governo tiverem como objetivo montar um cenário para reverter a sua queda de popularidade, então é melhor que guarde a proposta apenas para si. A oposição, segmento no qual nos situamos, parece não ser obstáculo a se buscar um amplo entendimento de uma questão tão importante para a sociedade. Agora, ela exige apenas um comportamento do governo: o da seriedade de propósitos - observou Hartung.
Em aparte, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), congratulou o PPS por aceitar a proposta de diálogo formulada pelo presidente da República. Arruda disse haver citado - na reunião da última segunda-feira entre Fernando Henrique e os presidentes e líderes dos partidos que apóiam o governo - os projetos de Eduardo Jorge e Roberto Freire como base para discussão. O senador também considera fundamental ouvir os governadores, a oposição e a sociedade organizada.
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