O advogado mineiro Marco Aurélio Rodrigues Ferreira afirmou à CPI do Judiciário nessa quarta-feira foi coagido pelo empresário Josino Pereira Guimarães, que teria dito ser assessor de desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a comprar por R$ 70 mil o resultado de um julgamento. O depoente entregou à comissão fotocópia de dois cheques emitidos por ele, ambos no valor de R$ 5 mil, que teriam sido entregues ao empresário, em Cuiabá, no dia do acerto do negócio.
Além dos R$ 10 mil, Marco Aurélio Ferreira afirmou que outros R$ 20 mil foram depositados em uma conta bancária especificada pelo empresário. O advogado acrescentou que a Polícia Federal já está de posse de cópia do comprovante da transferência do dinheiro. Os R$ 40 mil restantes, segundo acrescentou, somente deveriam ser pagos após o seu sogro Sebastião Queiroz, ex-proprietário da fazenda envolvida na questão judicial, receber da empresa Primorosa, que ganhou na Justiça o direito sobre 7.200 hectares de terra, o valor referente às benfeitorias que ele fez na propriedade.
Depois de contar detalhadamente todo o histórico judicial da briga pela posse das terras e, em seguida, a batalha nos tribunais para que seu sogro não fosse expulso da fazenda antes de receber o pagamento pelas benfeitorias feitas, Marco Aurélio Ferreira descreveu os contatos que manteve com Josino Guimarães para acertar a compra do resultado do julgamento. Ele disse que o deputado estadual e também advogado Elarmin Miranda foi o responsável por sua aproximação do empresário.
Elarmin Miranda, que na semana passada contou a mesma versão à CPI, teria solicitado a presença de Marco Aurélio Ferreira em Cuiabá após ter sido procurado por Josino Guimarães para tratar da compra do resultado do julgamento. O deputado estadual levou o advogado mineiro até a revendedora de tratores do empresário, mas não ficou para acompanhar a conversa.
Josino Guimarães, segundo Marco Aurélio Ferreira, teria pedido R$ 100 mil pelo resultado do julgamento. Prosseguindo o depoimento, o advogado disse que diante da sua negativa em pagar o valor, o empresário o teria colocado para falar por telefone com alguém que ele lhe informara ser o desembargador Athaíde Monteiro da Silva. Posteriormente, em um outro telefonema para a pessoa apresentada como o desembargador Athaíde, teria sido acertado o valor de R$ 70 mil.
HABEAS CORPUSLogo após o depoimento de Marco Aurélio Ferreira, Josino Guimarães foi convidado a depor. Acompanhado por dois advogados, ele apresentou ao presidente da CPI, senador Ramez Tebet, liminar do Supremo Tribunal Federal, concedida pelo ministro Marco Aurélio, assegurando o direito de o empresário permanecer calado na CPI do Judiciário, diante de perguntas que pudessem vir a comprometê-lo. De posse do habeas-corpus Josino Guimarães optou por não responder às perguntas formuladas pelos senadores.
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