Com solos férteis, bom clima e distribuição razoável de chuvas, "a existência de fome em nosso país é nada menos que uma vergonha para nós, porque demonstra nossa incompetência como povo em resolver nossos problemas mais básicos", disse nesta quarta-feira (dia 6) o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). O comentário foi feito durante as homenagens pelo aniversário da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que completará 54 anos no próximo dia 16, quando também se comemora o Dia Mundial da Alimentação.
A vergonha torna-se ainda maior, acrescentou, quando se constata que a área plantada com alimentos no Brasil foi reduzida pela pressão da concorrência com alimentos importados. Tal situação fragiliza a segurança alimentar da população, na opinião do senador, pois qualquer problema internacional pode resultar em imediata crise no suprimento de alimentos, além da inevitável escalada de preços. .
Conforme dados da FAO citados por Ney Suassuna, 89 países têm escassez de alimentos para suas populações, sendo 44 deles da África, 19 da Ásia, quatro do Oriente Próximo, 12 entre nações que resultaram da fragmentação da União Soviética e nove na América Latina, "entre os quais, extrema vergonha para nós, inclui-se o Brasil". .
Apesar de integrar o mapa da fome mundial, o Brasil, ao contrário de países desenvolvidos como Estados Unidos, França e Reino Unido, não isenta do pagamento de impostos os alimentos que compõem a cesta básica de consumo popular, medida que deveria ser adotada na reforma tributária em tramitação no Congresso, sugeriu. O problema da fome exige ação, defendeu, e ação que se inicie no próprio Brasil, para que se promova a necessária revolução produtiva que afaste do território nacional o flagelo da fome e colabore para o aumento da produção mundial de alimentos.
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