O senador Francelino Pereira (PFL-MG) disse que as recentes manifestações do Bird e do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, revelam que a pobreza é o principal desafio do novo milênio. Ele se referia as revisões anunciadas pelo diretor-gerente do FMI, Michel Candessus, alertando para a necessidade dos governos dos países pobres darem mais atenção às suas políticas sociais, e à decisão do governo americano, anunciada na semana passada, de perdoar a dívida de cerca de 30 países pobres. .
- Ou as nações ricas se unem entre si e se posicionam ao lado dos países pobres, ou todos caminharemos para o abismo de um mundo injusto, porque desigual e desumano - afirmou o senador. .
Francelino frisou que, se isto não ocorrer, "seremos sufocados - num mundo só - pela miséria, pela fome, pelo desemprego, pela desigualdade que não se pode transformar no signo do novo milênio". .
O senador aplaudiu o Bird e o FMI e os governos dos países ricos e pobres que se juntam no compromisso de construir a integração social, que já não é apenas o sonho, mas o grito de inconformidade dos povos do mundo inteiro". .
Francelino também defendeu o ministro da Fazenda, Pedro Malan, cujas declarações sobre a decisão das agências internacionais foram registradas com destaque pela imprensa, mas "com uma visão incompleta que não expressa o seu pensamento". Para o senador, a afirmação o ministro "está sendo interpretada como se o brasileiro não tivesse vergonha do nosso estado de pobreza". .
No entanto, frisou o senador, "há do que ter vergonha". Embora reconhecendo a ação do governo na área social, Francelino disse ser motivo de vergonha "a perversa distribuição de renda, a miséria e a indigência em que vivem milhões de brasileiros". Ele lembrou que a população brasileira passa de 160 milhões, com um índice de desigualdade superior a 60% e destacou que, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, o Brasil ocupa uma das últimas posições no que diz respeito aos direitos sociais indispensáveis à vida. .
No Brasil, disse o senador, os 10% mais ricos detêm quase 48% da renda nacional, enquanto os 40% mais pobres não chegam a possuir 8,5% da riqueza. "O governo está fazendo o que pode. Enfrenta o desafio de um ajuste fiscal que nos conduz à pobreza e à miséria", afirmou.
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