Após deixar o PSDB alegando "incontornáveis problemas de convivência" com algumas das principais lideranças do partido no Espírito Santo, entre elas o governador José Ignácio Ferreira, o senador Paulo Hartung (ES) anunciou nesta segunda-feira (dia 4) que se filiou ao Partido Popular Socialista (PPS). "Essa opção é uma decisão afetiva, que tem a ver com a minha história política e familiar. Meu pai, Paulo, que faleceu no ano passado, em plena campanha eleitoral, foi um militante do antigo Partidão. E foi também no seio desse partido que iniciei minha luta política em defesa de dias melhores para a nossa gente", explicou o senador. .
Em aparte, o senador Ramez Tebet (PMDB-MS) disse que torceu para que Hartung optasse pelo PMDB. Para Tebet, Hartung não tem perfil neoliberal e tem que estar junto dos homens que defendem o fim das desigualdades sociais. O senador Roberto Freire (PPS-PE) deu as boas vindas e disse que, apesar da saída de Hartung do antigo PCB, nunca estiveram realmente separados. Mesmo militando em outros partidos, Freire lembrou que mantiveram alianças permanentes que permitiram esse "reencontro". .
Após agradecer a solidariedade recebida de políticos de vários partidos, Hartung criticou a política econômica do governo. "A verdade é que o governo distanciou-se da sociedade e dos seus reclamos, enredado no emaranhado de interesses econômicos e políticos. Perdeu a energia transformadora na medida em que o impacto social da política de estabilização se esgotou. A inércia tomou conta dos três Poderes da República", afirmou. .
O senador disse que o PPS pretende buscar essa energia transformadora na rua, para construir uma alternativa para a retomada do crescimento e para combater às desigualdades sociais a partir da sociedade e das instituições que não se deixaram contaminar pela inércia que paralisa o governo. Hartung defendeu a criação de um amplo bloco de centro-esquerda como forma de romper essa inércia e alertou para a necessidade de uma política capaz de reduzir os riscos de instabilidade, controlar o fluxo de capitais, universalizar o regime de liberdades, o respeito aos direitos humanos, a resolução em bases democráticas dos conflitos sociais e a capacidade de a sociedade proteger suas parcelas mais carentes. .
- O talento e a criatividade individuais são indispensáveis na marcha civilizatória, mas os políticos progressistas têm o dever moral de lutar pela liberdade de opções, sem a qual a vida não tem nenhum sentido - concluiu Paulo Hartung.
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