Sob o argumento de que a confiança é uma via de mão dupla, o senador Ernandes Amorim (PPB-RO) afirmou que, ao invés de buscar a confiança do mercado promovendo ajuste fiscal, reformas constitucionais e privatizações para garantir a rolagem da dívida pública, o governo federal deveria colocar-se em posição de força e esperar uma demonstração de confiança do mercado para depois decidir o que fazer. "Podemos afirmar que só adotaremos as medidas que possibilitam o ajuste fiscal se o mercado baixar os juros, alongando o perfil da dívida e fazendo com que seja pré-fixada, com juros normais. Iguais aos dos países que dão segurança", explicou.
Para o senador, o objetivo do ajuste fiscal não é manter a inflação sob controle, nem garantir a queda das taxas de juros e o desenvolvimento econômico, com expansão de investimentos e empregos. A seu ver, o sacrifício do povo, dos estados e municípios e dos investimentos públicos busca "assegurar liquidez aos credores da dívida pública brasileira".
Todas as medidas de contenção promovidas pelo governo seriam, na opinião do senador, uma forma de reduzir os riscos dos investidores: "Recebem pelo risco, mas não há risco, porque nós não deixamos acontecer". Concordando com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Veloso, para o qual os projetos governamentais devem ajustar-se à Constituição e não o contrário, Ernandes Amorim mencionou que o governo teria apoio constitucional para, por exemplo, estabelecer um empréstimo compulsório sobre os credores da dívida pública.
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