Ao fazer um longo relato dos conflitos entre os trabalhadores sem-terra e os fazendeiros em seu estado, citando reportagens da imprensa local, o senador Juvêncio da Fonseca (PFL-MS) exigiu mais recursos para agilizar a reforma agrária. O senador disse que o governo federal gasta muito dinheiro no pagamento da dívida externa e com juros elevados.
- Se dependessse de mim, advogando os interesses do meu povo e do minha Pátria, decretaria o fim da pobreza com uma urgente reforma agrária com recursos inclusive de um imposto sobre a remessa de dólares para o exterior. Assim, reconciliaria os sem-terra e os com-terra trazendo paz para o campo - disse.
Para Juvêncio, os resultados da reforma agrária são acanhados, apesar dos esforços do ministro Raul Jungmann. De acordo com o senador, em depoimento à Comissão de Erradicação da Pobreza, o ministro afirmou haver recursos suficientes para desapropriar terras, mas não para proporcionar a infra-estrutura necessária para a produção agrícola.
- Que reforma agrária é esta que instiga o desejo pela terra, mas a oferece mitigadamente, fazendo crescer o desespero do trabalhador, colocando-o em confronto com o produtor, com prenúncios fortes de iminente violência? -perguntou.
O senador pelo Mato Grosso do Sul advertiu que um conflito violento entre acampados e proprietários rurais no estado está por um fio."Os fazendeiros têm tido a paciência de dar tratamento jurídico e político às invasões, especialmente àquelas das terras produtivas. Eles sabem que um ato de violência, mesmo em legítima defesa de sua propriedade, levantará a ira dos defensores dos pobres e excluídos e que acabarão como vilões".
Juvêncio alertou o governo para a necessidade de se solucionar o problema fundiário rapidamente "É urgente a adoção de providências para restabelecer o pleno direito de propriedade e, ao mesmo tempo, dar uma solução definitiva para essas populações esperançosas de terra que acampam nas estradas", frisou.
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