O senador Ramez Tebet (PMDB-MS) defendeu nesta sexta-feira (dia 15) a fiscalização das instituições financeiras pelo Banco Central para que as medidas anunciadas pelo governo com o objetivo de reduzir os juros surtam o efeito desejado. Só assim, avalia o senador, seus benefícios serão percebidos pelo consumidor final.- Os bancos captam dinheiro a 19%, 20% ou 21% e o aplica a quase 200% ao ano. É uma calamidade que exige providências. Temos que cobrar das autoridades que as medidas sejam realmente cumpridas pelos estabelecimentos bancários, cujos balanços registram lucros estratosféricos - frisou. Tebet se disse otimista com as medidas. Segundo ele, o governo federal percebeu a necessidade de adotar decisões que "toquem o consumidor" e não sejam apenas medidas macroeconômicas.- O sistema financeiro lucra muito, nada contribui e é incentivado. Já os setores produtivos, como a agricultura, estão sofrendo - observou.Para o senador, a medida que reduz de 6% para 1,5% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoas físicas é quase "uma glicose na veia" e fortalecerá "os que produzem e os que dão emprego". Tebet espera que os recursos bancários sejam orientados para quem efetivamente necessita e criticou os juros compostos - rejeitados pela Justiça e cobrados na prática no caso dos cheques especiais, segundo ele. Em aparte, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que as medidas anunciadas pelo governo não passam de um "pacote de marketing político", com efeitos pífios. De acordo com Requião, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, propõe a liberação dos bancos no que diz respeito aos empréstimos obrigatórios ao setor agrícola. - É preciso que não se estabeleça otimismo algum em torno dessa medida, porque a decepção será muito maior para o povo. É preciso que o país saia das mãos dos especuladores e do capital financeiro. E nosso presidente Fernando Henrique Cardoso não fará isto. Ele está ensandecido com a proposta neoliberal - sentenciou.
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