Com base na lei sancionada no último dia 28 que pune com maior rigor a corrupção eleitoral, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) anunciou nesta quinta-feira (dia 14) que está enviando consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se a arregimentação, mediante pagamento, de pessoas para trabalharem na "boca-de-urna" se caracteriza como "captação de sufrágio", estando sujeita a penalidades. A nova lei, proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com mais de um milhão de assinaturas, considera ilícito a doação, oferecimento, promessa ou entrega ao eleitor de bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza.O senador argumenta que, apesar de o Código Eleitoral garantir a liberdade de expressão, é preciso que a lei discipline este direito, para que seja praticada de forma cristalina. Em sua opinião, a "boca-de-urna" se caracteriza pelo abuso desse postulado, "mediante o uso de um artifício que na prática representa um grande instrumento para a compra de votos em massa".Valadares disse que a "boca-de-urna" é uma artimanha utilizada pelos candidatos de maior poder aquisitivo "para disfarçar a efetiva e vergonhosa compra de votos".- A presença massiva no dia da eleição de milhares de "bocas-de-urna" dá a impressão aos eleitores incautos de que o candidato, que tem tantos "militantes" do seu lado, já está antecipadamente vitorioso. Tal fato influencia ou induz o eleitor a se convencer do "prestígio" desse candidato, muitas vezes ancorado no seu poderio econômico - afirmou.
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