O conceito de eixo nacional de integração e desenvolvimento, adotado pelo Plano Plurianual 2000/2003 (PPA), representa significativo avanço como estratégia de aplicação de investimentos públicos e privados, disse nesta quinta-feira (dia 14) o senador José Jorge (PFL-PE). No entanto, os dois eixos de desenvolvimento que cobrem a região nordestina contidos no PPA - o Eixo Transnordestino e o Eixo do São Francisco - não abarcam a complexidade da dinâmica espacial da região e deveriam ser complementados pelo Eixo Litorâneo do Nordeste Oriental, previsto no programa "Brasil em Ação", mas retirado do PPA.
A proposta do senador é que as bancadas dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe analisem em conjunto os investimentos em educação, pesquisa e infra-estrutura econômica, de modo a consolidar a vocação da faixa litorânea do Nordeste Oriental, "região de produção e difusão dos produtos e serviços da nova economia, baseada no conhecimento que vai se firmando em todo o mundo, composta por serviços educacionais, centros de pesquisa, serviços médicos especializados, empresas de informática, consultorias, centrais de logística e distribuição e serviços turísticos, entre outros".
Essa região, que se tornou conhecida como "Polígono do Conhecimento", abrange uma rede de cidades próximas - Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Caruaru e Campina Grande - que concentra 66% dos grupos de pesquisa credenciados pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) no Nordeste, observou José Jorge.
- Só em Pernambuco existem mais de dois mil professores e pesquisadores com PhD e mestrado, que captam 36% dos recursos do CNPq destinados à pesquisa no Nordeste - informou o senador, apontando que os dois eixos do PPA "submergem" Pernambuco, como se o Nordeste tivesse hoje "apenas duas regiões dinâmicas, polarizadas pelas áreas metropolitanas de Fortaleza e Salvador".
Também com o objetivo de consolidar esse terceiro eixo regional, José Jorge sugeriu que os parlamentares, na apreciação do PPA, apóiem proposta do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, de destinar maiores investimentos para a infra-estrutura viária de turismo, como a duplicação da BR-101, que atravessa todos os estados da faixa litorânea do Nordeste Oriental.
Em aparte, Agripino Maia (PFL-RN) concordou com a avaliação estratégica feita por José Jorge. Maria do Carmo (PFL-SE), por sua vez, reclamou percentual maior de recursos orçamentários de investimento para o Nordeste, pois a maior parte foi alocada pelo governo no Sudeste, região já desenvolvida. José Eduardo Dutra (PT-SE) defendeu a necessidade de reverter o atual modelo econômico, por seus efeitos de concentração da riqueza e do poder nas regiões mais ricas, em detrimento das mais pobres. Ele deu o exemplo do BNDES, que poderia ser um poderoso instrumento de redução das desigualdades regionais e que, no entanto, destina a maior parte dos R$ 18 bilhões que administra às regiões mais ricas. Heloísa Helena (PT-AL), também em concordância com José Jorge, afirmou que "a região mais massacrada no PPA é o Nordeste", quando deveria ser o inverso
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "JOSÉ JORGE PROPÕE TRÊS EIXOS DE DESENVOLVIMENTO PARA O NORDESTE"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.