O senador Pedro Simon (PMDB-RS) sugeriu nesta quarta-feira (dia 13) ao presidente Fernando Henrique Cardoso que procure a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para ouvir o que a instituição tem a dizer sobre o movimento que lançou contra a impunidade e o crime organizado. Depois de ouvir o presidente da Ordem, Reginaldo de Castro, Fernando Henrique poderia reunir-se, na avaliação do senador, com os presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal e com o procurador-geral da República, para estudar medidas para combater o crime organizado.
Simon assinalou que o crime organizado envolve integrantes de organizações criadas justamente para combatê-lo: funcionários públicos, juízes, parlamentares, policiais. O senador lembrou a CPI do PC, que terminou no impeachment do presidente Fernando Collor, e a CPI do Orçamento, que afastou vários parlamentares. "Pensei que ali, pela primeira vez na história desse país, estávamos tendo vergonha na cara. Achei que vivíamos uma nova era. Mas, a primeira paulada veio quando o governo federal impediu que se criasse a CPI dos Corruptores", afirmou.
De acordo com o senador, o presidente Fernando Henrique argumentou que dois anos já haviam sido perdidos com as CPIs do PC e dos Anões e que não iria começar um novo governo perdendo mais um ano com a CPI dos Corruptores. "Hoje, estamos onde começamos. A OAB se aliando às mesmas instituições que iniciaram o movimento pelo impeachment, para combater o crime organizado e a impunidade", ressaltou o senador.
Em aparte, o senador Lauro Campos (PT-DF) lembrando que costumavam chamá-lo de radical quando dizia que "vivemos numa bancocracia", assinalou que o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, disse recentemente que o Brasil é uma "cleptocracia que se transformará numa narcocracia".
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