Às vésperas das eleições presidenciais na Argentina, o senador José Sarney (PMDB-AP) reafirmou, em discurso nesta quarta-feira (dia 13), a relevância de um pleno entendimento do Brasil com aquele país para garantir à América do Sul um espaço político e econômico no mundo globalizado sem subserviência nem subordinação. "Nossa prioridade deve ser crescer bastante e crescer juntos", destacou. ).
Sarney revelou ter tido empenho pessoal em desenvolver as relações Brasil-Argentina, como embrião do Mercosul. "Tenho satisfação de ter tomado essas decisões que representaram a contribuição mais pessoal que dei, durante meus anos como presidente da República. Estava convicto de que as relações pouco intensas do Brasil com seus vizinhos estavam equivocadas e que o começo de um futuro próspero residia em relações estreitas com a Argentina", disse o senador. ).
Para Sarney, as dificuldades que o Mercosul atravessa representam questões menores, ligadas a relações meramente aduaneiras. Ele entende que está na hora de retomar os ideais iniciais de integração econômica - e também política e cultural - buscando consolidar um verdadeiro mercado comum que, ao lado dos quatro países pioneiros, possa incluir outras nações do continente. ).
O senador pelo Amapá foi enfático: "O Brasil não pode ir à Organização Mundial do Comércio contra a Argentina, nem vice-versa. Precisamos encontrar uma solução compartilhada que faça justiça ao patrimônio comum que representa, hoje, o relacionamento Brasil-Argentina". ).
Segundo José Sarney, não se deve pensar na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) neste momento. "Vamos primeiro consolidar o Mercosul, que tem tudo para dar certo. Brasil e Argentina representam o núcleo dessa associação, e devemos crescer juntos. Ao romper esse impasse conjuntural, iremos resgatar o sonho de construir uma América do Sul com o peso do Mercado Comum Europeu ou dos Estados Unidos", afirmou. ).
Depois de traçar um perfil histórico das relações Brasil-Argentina, com ênfase no bom entendimento que obteve, quando presidente, com Raul Alfonsín, ele disse que não está com os olhos voltados para o passado. "Cabe aos presidentes atuais, que não assinaram o tratado inicial, rediscutir as idéias e encontrar o caminho para contornar essas questões pequenas onde os dois países estão patinando. Estou olhando para o futuro", garantiu José Sarney.
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