Ao fazer um balanço da sua visita à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, defendeu uma renegociação do acordo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele disse que este foi um dos assuntos que tratou com o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Nittin Desai.
Além de entregar uma carta endereçada ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pedindo apoio à sua proposta de combate à miséria, o presidente do Senado brasileiro opinou sobre a intenção do governo americano de ajudar os países pobres. Antonio Carlos disse ao subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais que os Estados Unidos não podem esquecer também dos países que, mesmo não sendo pobres, têm muitos pobres entre sua população, como é o caso do Brasil.
Antonio Carlos defendeu um esforço da diplomacia brasileira, e até mesmo um contato do presidente Fernando Henrique Cardoso com o presidente americano, Bill Clinton, para a partir daí se tentar uma renegociação do acordo firmado com o FMI.
Entre os termos que poderiam ser renegociados, na opinião do presidente do Senado, está o pagamento dos juros referentes a um empréstimo cuja autorização encontra-se no Senado para ser apreciada, no valor de US$ 2,2 bilhões. Antonio Carlos explicou que mesmo sob o rótulo de recursos a serem utilizados em programas sociais, esse dinheiro tem o objetivo de reforçar as reservas do país.
- O que é grave nesse caso é que mesmo sem empregar os recursos, o Brasil paga juros. Toma o dinheiro para não fazer nada e ainda paga esses juros sobre esses recursos. Pelo menos essa situação constitui uma aberração. Acho que chegou a hora de não aceitar mais isso, de renegociar - comentou Antonio Carlos Magalhães.
O presidente do Senado disse que Nittin Desai considerou justa a proposta de renegociação do acordo com o FMI, mas sugeriu que o governo brasileiro tomasse a iniciativa de um entendimento com o fundo. Antonio Carlos disse acreditar que o presidente Fernando Henrique está estudando a possibilidade da renegociação e acrescentou que não será surpresa para ele se for informado que o governo brasileiro já está tratando do assunto.
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