A perda de soberania do Brasil sobre a Amazônia é preocupante, na opinião do senador Mozarildo Cavalcante (PFL-RR), que nesta segunda-feira (dia 11) abordou o tema em discurso no plenário. O senador denunciou o descaso e o abandono a que estão relegadas, no seu entender, as imensas fronteiras Norte e Oeste do Brasil, especialmente com a Guiana Francesa, o Suriname, a Guiana (ex-Guiana Inglesa), a Venezuela, a Colômbia, o Peru, a Bolívia e o próprio Paraguai.
- O Brasil, com raros momentos de exceção, vem sendo pensado e vivido apenas no litoral - disse Mozarildo, que alertou para o avanço da ação internacional rumo à "fragmentação" da Amazônia.
Citando ou mesmo fazendo a transcrição de editoriais, artigos e entrevistas publicadas na imprensa, o senador chamou a atenção para a intensa atividade de narcotraficantes e guerrilheiros colombianos na região. Eles estariam transformando a Amazônia numa base de operações e ganhando tal força que no caso dos traficantes até teriam se infiltrado na política brasileira, conforme editorial do Correio Braziliense.
Mas se, como afirmou um militar colombiano citado por Mozarildo, a Amazônia pode se transformar numa nova Colômbia, na ausência de uma política mais consistente, o senador enxerga outras ameaças à integridade da região. De autoridades norte-americanas ao falecido presidente francês François Miterrand, muitas foram as pessoas importantes que questionaram os direitos do Brasil sobre a Amazônia, alertou.
O senador acha que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem adotado algumas medidas para reverter esse quadro, mas precisa reforçar o papel do governo federal na Amazônia. Mozarildo defendeu a reativação do programa Calha Norte, o aumento dos investimentos nos municípios localizados na faixa de fronteira e a criação de novas unidades da Federação por desmembramento de áreas gigantescas dos estados do Amazonas, Pará, e Mato Grosso.
O desenvolvimento sustentado é outra preocupação de Mozarildo Cavalcanti, que, entretanto, criticou a entrega de muitas ações públicas para Organizações Não-Governamentais com "nítidos e profundos vínculos internacionais". Segundo o senador, essas ONGs têm recebido verbas enquanto o Exército, a Aeronáutica e a Marinha passam pelo pior período de restrição orçamentária.
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