Ao comentar resultado de pesquisa realizada pela USP e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde foi constatado que até 20% dos alunos das 10 principais escolas médicas do estado de São Paulo consomem desde tranqüilizantes a cocaína, o senador Tião Viana (PT-AC) fez um apelo aos Ministérios da Saúde, Educação e da Justiça para que definam um grupo de estudos para estudar medidas para resolver o problema.
Segundo reportagem publicada pelo Jornal do Brasil, lida em plenário por Tião Viana, no estudo da USP, realizado em nove escolas médicas, foram ouvidos 3.300 alunos, dos quais 20% disseram ser usuários de cocaína, maconha, éter, anfetaminas ou tranquilizantes. Já a pesquisa da Unifesp, abrangendo 547 estudantes da própria instituição, mostrou que 16% usam maconha, 18% éter e benzina e 1% cocaína.
Na opinião do senador pelo Acre, não se pode tratar o caso dos estudantes de medicina envolvidos com o consumo de drogas através de convencimento, educação ou outras tentativas de retirá-los do vício. Tião Viana defende uma ação mais decisiva das escolas médicas do país, realizando um acompanhamento mais efetivo do comportamento psicossocial dos seus estudantes.
- É incompatível com a continuidade de um curso médico quem esteja dependente ou seja usuário de droga, como no caso a cocaína. A expulsão sumária deve ser componente disciplinar das escolas médicas para qualquer jovem que esteja envolvido com utilização de drogas no país. Não se pode admitir que ele pode chegar a condição de concluinte do curso e não ter sido averiguado no seu equilíbrio psicossocial ¿ defendeu Tião Viana.
O senador pelo Acre citou como exemplo de incompatibilidade entre a profissão de médico e a utilização de drogas a situação em que uma mãe grávida, na hora do trabalho do parto, necessitando do atendimento de um médico, termina sendo ocorrida por um profissional sob efeito de cocaína.
Em aparte, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) também externou sua perplexidade com os resultados apontados pela pesquisa. Ele manifestou sua surpresa ao constatar que estudantes de medicina têm pleno conhecimento dos riscos que as drogas causam. "Essa situação nos deixa enormemente preocupados com a extensão ao uso de narcóticos no país", opinou.
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