Lembrando palavras ditas no leito de morte pelo falecido ministro das Comunicações Sérgio Motta, o senador Lauro Campos (PT-DF), criticou nesta segunda-feira (dia 8) o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, por atos que teria praticado em prejuízo do país. "Não te apequenes, Fernando", disse Motta ao amigo e presidente, já na UTI. Conforme Campos, o conselho não foi seguido pelo presidente.
Uma prova da desatenção de Fernando Henrique em relação ao que lhe dissera Motta foi a condecoração do presidente do Peru, Alberto Fujimori.
- Ao condecorar o neoliberal sanguinário "el Chino", o presidente se apequenou, baixou à estatura do condecorado, nivelou-se com o ditador do Peru. Como representante dos brasileiros, o presidente homenageou o monstro em nosso nome - disse o senador.
Fernando Henrique, lembrou Lauro Campos, não conseguiu cumprir sua promessa de elevar o salário mínimo a R$ 250 ao final de seu primeiro mandato e comportou-se como um "neoliberal ferrenho" quando buscou destruir o legado da Era Vargas.
- Acreditando no capitalismo de mercado, iluminista e mecanicista, a era FHC se inicia adotando o credo do Consenso de Washington e do liberalismo de exportação do FMI e do Banco Mundial - analisou Campos.
Para o senador, Fernando Henrique errou ainda ao instituir o Programa de Saneamento e Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer) e vincular o empréstimo do Eximbank norte-americano destinado ao Projeto Sivam (vigilância da Amazônia) à criação de empregos nos Estados Unidos.
Lauro Campos aproveitou para prestar contas aos seus eleitores das semanas que permaneceu ausente do Senado, por força de exames médicos realizados em São Paulo.
- Nunca escondi dos que em mim votaram a minha situação coronariana - disse o senador, em resposta aos que porventura o acusem de não estar cumprindo com as obrigações do cargo para o qual foi eleito. Segundo o senador, sua saúde é estável, a despeito dos problemas sérios que tem.
Ao final do discurso, o senador também fez menção ao que chamou de "ditadura compartilhada entre o presidente da República e o presidente do Legislativo" e um sistema que "se diz democrático". Na opinião de Lauro Campos o dilema entre desenvolvimentistas e monetaristas é falso e só contribui para mascarar o confronto entre capitalismo e socialismo.
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