O fato de três revistas semanais - Veja, IstoÉ e Época - terem colocado em suas reportagens de capa o caso do estudante de medicina que, munido com uma submetralhadora, matou três pessoas num shopping paulistano foi condenado com veemência pelo senador Ademir Andrade (PSB-PA).
- Lamentavelmente, as três revistas fizeram exatamente o que aquele infeliz queria, o que não deixa de ser um incentivo - comentou, referindo-se a declaração do assassino que disse ter optado pela submetralhadora e não por uma granada para provocar "maior impacto na mídia".
Na opinião do senador, aqueles órgãos de imprensa teriam promovido o caso "porque vende revista, dá dinheiro".
Ademir Andrade também condenou a inserção, na revista Isto É, de um encarte "com propaganda enganosa da Abifarma", entidade que congrega laboratórios farmacêuticos, "96% deles estrangeiros". Após o Congresso Nacional ter aprovado a comercialização de medicamentos genéricos e, conforme o senador, ter finalmente colocado o Brasil no patamar dos países de Primeiro Mundo, a Abifarma estaria fazendo propaganda "cínica, mentirosa e safada" em prol de seus produtos de marca.
Para o senador, a revista não poderia dar guarida a esse gênero de propaganda, mas cabe ao governo federal e ao Ministério da Saúde tomar as providências cabíveis contra a entidade.
Em aparte, o senador Lauro Campos (PT-DF) disse que o quadro de violência que caracteriza o país atualmente resulta "de nossa insensibilidade, de nosso egoísmo, que banaliza e glamuriza casos de violência". Para o senador, "domina impávida a lógica do capital e suas prioridades, que nada têm a ver com as prioridades da sociedade". Ele citou como exemplo o fato de, na execução orçamentária, o governo federal só ter liberado de 7% a 8% das dotações destinadas a despesas com construção e manutenção do sistema penitenciário.
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