Ao enaltecer as ações das Forças Armadas na região, o senador Bernardo Cabral (PFL-AM) cobrou do governo federal uma política para o desenvolvimento e integração da Amazônia. Em discurso no plenário, nesta sexta-feira (dia 5), Cabral reclamou ainda a retomada do programa Calha Norte como forma de tornar efetivo o direito brasileiro de manter e preservar a região.
- Se faz imperioso que voltemos de fato nossos olhos para a Amazônia e, em particular, para as regiões mais distantes, porque só com ações concretas, visando ao povoamento, ao desenvolvimento e à assistência efetiva àqueles brasileiros, conseguiremos integrar a Amazônia ao Brasil ¿ afirmou Cabral.
Segundo o senador, o Comando Militar da Amazônia, em cooperação com a Marinha de Guerra e a Força Aérea Brasileira, desenvolve ações cívico-sociais importantes para a ocupação da região. Nesse vazio demográfico, continuou, o Exército Brasileiro, como parte do planejamento anual de manobras militares, está mobilizando cerca de 5 mil homens na região de fronteira entre o Brasil e Colômbia.
- A região eleita como teatro de operações foi a "Cabeça de Cachorro", onde a incidência de narcotráfico e de ações de guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) tem sido bastante noticiada ¿ disse ele.
Com essa iniciativa, segundo Bernardo Cabral, o Comando Militar, por meio da "Operação Querari", testa a capacidade de "concentração estratégica de força terrestre", além de dar uma mostra, "àqueles favoráveis à internacionalização", de que o Brasil é capaz de responder à necessidade de manter a integridade do território nacional.
O senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), em aparte, avaliou que o governo federal vem atendendo a pressões internacionais para transferir as suas obrigações a organizações não-governamentais, que, apesar de terem autonomia, gastam recursos públicos.
- O país não tem uma política para a região, que é ditada de fora, por países estrangeiros. Hoje, toda nossa fronteira e 22% do estado do Amazonas são compostos por reservas indígenas. A ação do país na região é mais importante neste momento, quando o mundo se preocupa com o problema do narcotráfico ¿ disse Mestrinho.
Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que ocupou a tribuna depois de Cabral, o grande inimigo da Amazônia não vem do exterior, mas do próprio governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, uma vez que, observou, o aumento da dívida externa, mesmo depois de vendido todo o patrimônio do país, pode levar à "doação" da região.
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