O jornalista Mário Sérgio Conti, em seu livro Notícias do Planalto ¿ A Imprensa e Fernando Collor, teve como objetivo central "atingir o seu antecessor na revista Veja, expondo pela primeira vez o que podemos qualificar como uma verdadeira guerra de bastidores pelo poder na Editora Abril", disse nesta terça-feira (dia 30) o senador Iris Rezende (PMDB-GO). Mesmo não tendo sido acusado diretamente, o senador rejeitou que, por conta de intrigas entre jornalistas, sua honra pessoal venha a ser atingida. - Não aceito o papel de bode expiatório neste episódio mal contado e mal resolvido. Não tenho, nunca tive e jamais terei qualquer tipo de atuação que possa significar suborno ou favorecimento em busca de manchetes ou matérias positivas. A minha vida e a minha história falam por si mesmas. Não aceito insinuações e provocações de qualquer natureza. Não admito o papel de pivô num confronto pessoal de jornalistas - protestou. Iris Rezende disse que se manifestava sobre o assunto "em respeito ao Senado, a meu estado e ao país", pois a cobertura da imprensa sobre o livro deu destaque a "apenas duas páginas em que o autor insinua que seu antecessor no cargo de diretor de Veja, Roberto Guzzo, teria recebido dinheiro para publicar na revista duas reportagens favoráveis à minha pessoa no ano de 1989". Sem provas, sem nenhum fato concreto a justificar as acusações, sem ter colhido o depoimento do senador para a obra, Conti, conforme Iris Rezende, além de tentar atingi-lo, lançou dúvidas sobre a conduta de profissionais respeitados e poderá "macular a trajetória da própria imprensa brasileira". Para o senador, o fato de Conti não ter apresentado a denúncia em 1989, omitindo-se para, dez anos depois, publicar versões sem provas, demonstra "irresponsabilidade, incorreção, injustiça". Na sua opinião, o próprio Conti revelou insegurança quanto ao que publicou, pois, em entrevista ao jornal Correio Braziliense do último dia 26, "diz textualmente que não sabe se houve ou não suborno". Conti, segundo Iris Rezende, "parece ter aversão às boas notícias" e o envolveu numa intriga porque Veja publicou o que toda a imprensa na época também publicou, "as conquistas de minha gestão à frente do Ministério da Agricultura, quando o país experimentou pela primeira vez em sua história a colheira de três supersafras recordes".Amigo pessoal da família Mesquita, proprietária do jornal O Estado de São Paulo, de Octávio Frias (Folha de S. Paulo) e de Roberto Marinho (Organizações Globo), o senador disse que, por formação, nunca teve "a ousadia" de buscar espaços. "Se tenho tido espaço na imprensa, é pela minha ação". Em aparte, o senador Maguito Vilela (PMDB-GO) lamentou a freqüência com que "jornalistas irresponsáveis dizem o que lhes vem à cabeça", testemunhou que Iris "venceu pelos próprios meios, com competência e dignidade" e assegurou sua solidariedade. Também objeto de acusações, Maguito afirmou ter em mãos "um calhamaço do Ministério Público" em que todas as denúncias contra ele não foram comprovadas. O Ministério Público deveria mandar publicar todos os resultados de suas investigações, sugeriu, acrescentando que, por causa dessas injustiças, "estou pensando seriamente em encerrar minha carreira política". Iris Rezende confessou-se sensibilizado, mas não surpreendido, com a solidariedade de Maguito e o contestou dizendo que o estado de Goiás não permitirá que ele abandone a vida pública.
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