"Qual é o empresário que vai colocar uma unidade produtiva no interior do Nordeste se não tiver incentivo? Claro que não vai. É muito mais cômodo para ele ficar no Sudeste." O alerta foi feito nesta terça-feira (dia 30) pelo senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) ao cobrar cautela para que a reforma tributária, em votação na Câmara dos Deputados, não se transforme num instrumento que venha a impedir o crescimento das regiões mais pobres. Destacando observação do governador do Ceará, Tasso Jereissati - em seminário promovido pelo Instituto Teotonio Vilela, órgão de estudos do PSDB - de que a reforma tributária deve levar em conta a necessidade de desconcentração do crescimento, Alcântara disse que não se pode prescindir de uma visão integrada da questão. - Fala-se muito que essa reforma deve ser feita para acabar com a guerra fiscal. E o que é a guerra fiscal? É um instrumento de que os estados lançaram mão para atrair investimentos. Investimentos que significam implantação de unidades produtivas, indústrias, comércio, serviços, enfim, tudo aquilo que possa levar desenvolvimento e gerar emprego, que é justamente a grande luta hoje de todo governante, principalmente das regiões mais pobres do país - disse.Para Alcântara, nenhum governador do Nordeste entrou na guerra fiscal porque quisesse, mas porque era o único instrumento disponível. E a estratégia, segundo o senador, deu resultado, gerando um fluxo de investimentos. "Se o que se quer com a reforma tributária é simplesmente impedir a guerra fiscal, ela é uma reforma contra os estados mais pobres, das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e não pode ter o nosso apoio, até porque nada oferece em troca", advertiu o senador.
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