Os auditores independentes contratados pela CPI do sistema financeiro concluíram que, somando tudo, o Banco Central gastou no programa de salvamento de bancos, desde que foi criado o Proer, exatos R$ 37,76 bilhões, em valores atualizados. Destes, R$ 14,86 bilhões saíram das reservas bancárias (depósitos dos bancos no BC) e do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), criado pelo bancos para garantir até R$ 20 mil de contas-correntes de bancos em liquidação. Até o encerramento da CPI, estes gastos não haviam sido mencionados publicamente pelas autoridades econômicas. Em seu discurso desta segunda-feira (dia 29), o senador Pedro Simon menciona a cifra de R$ 13 bilhões, valor sem atualização monetária.Após minucioso levantamento, os consultores também chegaram à conclusão de que R$ 28,2 bilhões de tudo que foi gasto no salvamento dos bancos "são créditos de recebimento duvidoso pelo Banco Central". Ou seja, dificilmente este dinheiro será pago e a conta, no final caberá ao contribuinte, conforme avaliou o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), encarregado pela CPI de investigar as contas do Proer.O relatório da CPI apresenta uma informação pouco conhecida dos brasileiros: desde 1994, quanto foi implantado o Plano Real, o Banco Central foi obrigado a intervir em 188 instituições financeiras, somando um passivo de R$ 75,5 bilhões. Os R$ 37,76 do Proer fazem parte desta conta, mas foram usados para bancar apenas sete fusões bancárias (Econômico-Excel, Nacional-Unibanco, Bamerindus-HSBC, Banorte-Bandeirantes, Mercantil-Rural, Martinelli-Pontual e Antônio de Queiroz-United). A Caixa Econômica Federal, que não comprou qualquer banco em liquidação, aparece como credora do Proer em R$ 7,58 bilhões por ter recebido crédito para comprar as carteiras imobiliárias das instituições financeiras atendidas pelo programa do Banco Central.
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