Ao questionar o ministro Rafael Greca, do Esporte e Turismo, em audiência pública realizada nesta quinta-feira (dia 18), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que o ex-diretor financeiro do Indesp, Luís Antonio Buffara, havia criado um "balcão" para clientes especiais que tinham atendimento preferencial na liberação de bingos. Acrescentou que na área de convênios firmados no âmbito do órgão também existe um "balcão" do gênero e que a "senha" para o favorecimento é o partido político do interessado.
"Como isso é um fato notório, constatado inclusive por depoimentos de várias testemunhas no Ministério Público, pergunto se essa trama é do seu conhecimento ?", indagou o parlamentar.
Em resposta, Greca disse que não existe um balcão especial para privilegiar políticos ou "pessoas de terceira intenção". Negou que haja qualquer favorecimento em sua pasta, afirmando que age com "absoluta transparência" e dentro dos limites da lei.
Suplicy manifestou estranheza com as afirmativas de Greca e disse que não entendia como o ministro, "passado todo esse tempo da divulgação dos fatos, ainda não tenha conhecimento desse balcão e certeza de que foi enganado por Buffara".
O senador observou que um ministro tem "responsabilidades que não pode delegar", lembrando que o chanceler Willy Brandt renunciou à chefia política da então Alemanha Ocidental, um dos cargos mais importantes do planeta, diante de "meros boatos de espionagem para a Alemanha Oriental", envolvendo um de seus auxiliares. "Ele ganhou a admiração e o respeito do mundo inteiro", disse.
Greca respondeu que, há meses, vem investigando e coordenando sindicâncias para apurar as acusações que pesam sobre o ministério. "Minha intenção é esclarecer, por isso vim ao Senado espontaneamente. Não preciso pensar em renunciar, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso e o meu partido, o PFL, mantêm plena confiança em mim. Se houver necessidade de correção de rumos em relação aos bingos, vamos fazê-lo".
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